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Transparência: luta de Dilma contra corrupção é de 'alto nível'

30 nov 2011
23h13
atualizado em 1/12/2011 às 00h15

O diretor para a América Latina da Transparência Internacional (TI), Alejandro Salas, destacou nesta quarta-feira o trabalho da presidente Dilma Rousseff no combate à corrupção. Salas estimou que há "uma vontade política de alto nível" para expor "os problemas sob o tapete" no Brasil, onde Dilma já trocou cinco ministros.

<p>No dia 15 de março, a presidente Dilma Rousseff fez sua primeira substituição na Esplanada dos Ministérios em 2013, trocando o pedetista Brizola Neto (dir.) pelo secretário-geral da legenda, Manoel Dias (SC), no comando do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ele já havia sido cotado para comandar o MTE quando Carlos Lupi caiu por denúncias de corrupção. Dias é um pedetista histórico e ajudou a fundar o partido em 1980 ao lado de Leonel Brizola e de Dilma Rousseff</p>
No dia 15 de março, a presidente Dilma Rousseff fez sua primeira substituição na Esplanada dos Ministérios em 2013, trocando o pedetista Brizola Neto (dir.) pelo secretário-geral da legenda, Manoel Dias (SC), no comando do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ele já havia sido cotado para comandar o MTE quando Carlos Lupi caiu por denúncias de corrupção. Dias é um pedetista histórico e ajudou a fundar o partido em 1980 ao lado de Leonel Brizola e de Dilma Rousseff
Foto: Arte / Terra

"É um ótimo exemplo, muito positivo", pois "há um castigo administrativo, mas é preciso ver a longo prazo se vai haver punição ou impunidade. Se a Justiça vai estar à altura das circunstâncias e se vão investigar para que os culpados tenham o devido processo".

Segundo o diretor da TI, organização não governamental com sede em Berlim, no Brasil ainda coexistem "vários mundos, com setores muito abertos que se inserem no sistema global e jogam pelas regras estabelecidas", e outros, em âmbitos regionais, baseados em práticas e estruturas do poder "centenárias", como a compra de votos, nepotismo e caciquismo.

Em uma escala de percepção da corrupção que engloba 182 países, divulgada nesta quarta-feira, o Brasil ocupa o 73º lugar, entre o Chile, o melhor dos latino-americanos, em 22º, e a Venezuela, o pior, em 172º. No caso da Venezuela, Salas destaca que seu "governo central muito forte limita de maneira importante a autonomia das demais instituições", como ocorre "quando se tem um Poder Judiciário submetido à autoridade central" ou "autoridades eleitorais vinculadas às autoridades políticas", o que é "um campo muito fértil" para a corrupção.

A "exceção" a essa regra parece ser Cuba, que caiu em um ano da 69ª para a 61ª posição, o que pode ser atribuído a diversos fatores, a começar pelo fato de que a ilha "não tem instituições democráticas, mas há uma institucionalidade forte e uma hierarquia que controla e domina estas instituições".

No México (100º), onde também persistem estrututas de poder "centenárias", como compra de votos e nepotismo, o PRI, que governou de maneira absoluta durante sete décadas, poderá voltar ao poder em 2012, após as reformas implementadas pelo PAN para combater a corrupção, mas que frustraram as expectativas sobre o "castigo para os corruptos". Salas considera "difícil prever" o que ocorrerá com a volta do PRI, mas não acredita na possibilidade "do retorno dos velhos costumes".

"A população obteve importantes avanços, exige coisas diferentes, e mesmo que o velho PRI chegue ao poder, será quase impossível reverter (tais avanços)."

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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