Política

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21 de junho de 2012 • 05h26

SNI monitorou Dilma durante governo de José Sarney, diz jornal

 

A presidente Dilma Rousseff foi monitorada não apenas durante os anos de ditadura militar, entre 1964 e 1985, quando foi presa e torturada, mas também durante o mandato de José Sarney na presidência, entre 1986 e 1990. A informação é apontada por documentos do chamado "Acervo da Ditadura", abertos agora ao público e analisados pela edição desta quinta-feira da Folha de S. Paulo. Em pesquisa, o jornal identificou um total de 181 documentos que mencionam Dilma, registrados entre 1968 e o final dos anos 80. Entre os papéis, 17 foram produzidos durante o governo Sarney, hoje presidente do Senado, pelo SNI (Serviço Nacional de Informações).

No início do governo militar, Dilma era identificada como parte de uma "infiltração comunista" em órgãos da prefeitura e do governo do Rio Grande do Sul, além de parte do movimento feminista, que, segundo o SNI, buscava "a conscientização das massas, pretendida por facções esquerdistas que almejam o poder". Foram monitoradas ainda uma viagem Dilma ao México e um comício onde ela e Lula protestaram contra a ampliação do mandato presidencial de Sarney, já em 1988. Relatórios do SNI da década de 70 sobre Dilma acusam uma uma suposta ligação com a JCR (Junta de Coordenação Revolucionária), grupo de esquerda armada. Outro documento de 79, porém, agora revelado, diz não ter encontrado comprovação dessa alegação. Procurada pela Folha de S. Paulo, a assessoria de Sarney afirmou que, em seu mandato na Presidência, ele havia ordenado ao SNI que não realizasse "levantamentos sobre a vida privada" de "nenhum brasileiro". Disse ainda que não era informado sobre objetivos e resultados do SNI.

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