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RS: vereadores do PP repudiam TV por "Putinhas Aborteiras"

Apresentação do grupo "anarcafeminista" agride moral e os bons costumes, diz o requerimento protocolado pelo PP

14 mai 2014
18h37
atualizado às 19h05
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Os vereadores que compõem a bancada do Partido Progressista (PP) na Câmara Municipal de Porto Alegre protocolaram, nesta quarta-feira, uma moção de repúdio contra a Televisão Educativa do Estado (TVE)  por conta da veiculação da apresentação de um grupo chamado Putinhas Aborteiras, no último dia 5 de maio.

Na apresentação, as jovens executaram uma música na qual criticaram a postura da igreja que se posiciona contra o aborto. “Se o papa fosse mulher, o aborto seria legal”, “papa, levanta o seu vestido, quem sabe ai em baixo não está o Amarildo”, “peca, pepeca, o papa peca”, são alguns dos versos da canção, executada como uma espécie de funk pelo grupo no programa Radar.

A aparição tinha o objetivo de divulgar a Marcha das Vadias na capital gaúcha, mas gerou muita polêmica. Nas semanas seguintes pipocaram pelas redes sociais e blogs opiniões favoráveis e contrárias a apresentação das Putinhas Aborteiras.

No requerimento elaborado pelos vereadores, o grupo denominado “anacaferminista e partidárias do anarcofunk”, servindo-se de linguajar “chulo” e ”de baixo nível” agride a moral e os bons costumes do povo brasileiro, ofendendo até o papa Francisco.

“É inadmissível que a TV Educativa tenha dado guarida a uma manifestação dessa natureza, deixando de cumprir seu papel de emissora estatal com finalidade educacional, ao permitir um conteúdo em tudo e por tudo anti-educativo e anti-institucional”,  diz o texto assinado pela líder da bancada, Monica Leal, e mais três vereadores: Guilherme Socias Villela, João Carlos Nedel e Kevin Krieger.

Na página do Facebook, o grupo se diz alvo de ataques promovidos por pessoas "machistas e reacionárias", e se dizem surpresas com a repercussão. "Contrariamente ao que tem sido criticado em alguns lugares, por ter sido em uma emissora de TV educativa, nossas músicas não foram ao ar na televisão em horário nobre, somente na madrugada. Mas a maioria das críticas foi para nossa mensagem política, para nossa aparência, para nossas músicas tãããão chocantes. Aparentemente, somos muito polêmicas! Ao mesmo tempo, todas essas reações conservadoras são bastante previsíveis”, diz um trecho da mensagem postada.

O grupo diz ainda que, como feministas e mulheres que se recusam a seguir padrões opressores de beleza, “não nos espantam que nos chamem de feias ou indesejáveis para os homens, que apontem para nossa possível gordura ou ausência de depilação”.

Dois dias depois a veiculação da apresentação, a TVE divulgou nota na qual informa que é uma emissora pública que prima pela “diversidade cultural, liberdade de expressão e multiplicidade de opiniões”.

A emissora diz ainda que a veiculação seguiu a classificação indicativa federal, transferindo a apresentação para as 02h30 da madrugada. ” Escolhemos permitir a manifestação da banda, mas preservamos o horário de classificação indicativa, não expondo o conteúdo a público inadequado, como o infantil, por exemplo. Dessa forma, a emissora cumpriu com sua missão de abrir espaço a diferentes tipos de manifestações de pensamento e teve a preocupação de fazê-lo em horário adequado”, finaliza o comunicado.

Fonte: Terra

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