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RJ: prefeito e candidata são presos acusados de desviar R$ 48 mi

5 set 2012
09h46
atualizado às 17h42
Marcus Vinicius Pinto
Direto do Rio de Janeiro

O prefeito de Guapimirim (RJ), Renato Costa Mello Júnior (PTC), o Júnior do Posto, foi preso na manhã desta quarta-feira durante a operação "Os Intocáveis" da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil (Draco). Júnior do Posto, o presidente da Câmara de Vereadores e dois secretários do município são acusados de fraudar licitações e de desviar cerca de R$ 1 milhão por mês dos cofres da prefeitura. Os investigadores estimam que a quadrilha desviou ao menos R$ 48 milhões nos últimos quatros anos.

O grupo ofereceu R$ 800 mil para subornar policiais
O grupo ofereceu R$ 800 mil para subornar policiais
Foto: Divulgação

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Foram cumpridos na manhã de hoje sete mandados de prisão e 45 de busca e apreensão, expedidos pela Seção Criminal do Tribunal de Justiça. Além disso, 11 pessoas foram indiciadas, incluindo três vereadores.

Entre os envolvidos está a subsecretária de Governo licenciada e candidata a prefeita de Guapimirim pelo PMDB, Ismeralda Rangel Garcia; o presidente da Câmara dos Vereadores, Marcelo Prado Emerick, o Marcelo do Queijo; o atual secretário de Governo, Isaías da Silva Braga, conhecido como Zico, e o chefe do setor de Licitações da Prefeitura, Ramon Pereira da Costa Cardoso. Também eram procurados pela polícia dois homens que atuavam como laranjas no esquema da organização criminosa: Ivan Azevedo Valentino, o Ivan do Gazetão, e Ronaldo Coelho Amorim , o Ronaldinho, que responde a um processo por homicídio.

Segundo o delegado Roberto Leão, da Draco, que trabalhou infiltrado na operação, ao descobrir que estava sendo investigado o grupo procurou a delegacia a fim de "negociar" uma forma de abafar a investigação e ofereceu R$ 800 mil para subornar os policiais. O dinheiro foi aceito com autorização judicial e para ganhar a confiança dos investigados. No último dia 27 de julho, policiais e criminosos se reuniram em um posto de gasolina em Guapimirim para receber a quantia em notas de R$100 e R$ 50.

O subprocurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, disse que os valores e a ousadia dos suspeitos surpreenderam. "É uma quadrilha capaz de disponibilizar R$ 800 mil de imediato", disse.

Os suspeitos também faziam questão de repetir, segundo o delegado Alexandre Capote, da Draco, que "não há policial incorruptível". "Um deles chegou a dizer que o esquema que havia na prefeitura não era ilegal, apenas imoral", disse Capote.

O dinheiro foi entregue aos policiais pelo presidente da Câmara, Marcelo do Queijo, acompanhado de outras pessoas. As cédulas estavam úmidas e com cheiro de esterco. A polícia acredita que o dinheiro estava enterrado em algum lugar. Todo o dinheiro recebido foi encaminhado à Justiça e depositado em uma conta bancária. Os envolvidos chegaram a dizer que caso Ismeralda ganhasse as eleições passariam a pagar uma espécie de "mensalão" de R$ 20 mil à delegacia. Marcelo do Queijo é candidato a reeleição pelo PPS.

O Ministério Público Estadual (MP) denunciou 16 pessoas sob acusação dos crimes de quadrilha armada, fraude em licitação, corrupção ativa, coação no curso do processo e peculato, que podem somar até 24 anos de prisão. Alguns denunciados não têm mandado de prisão decretada, entre eles os vereadores Iram Moreno de Oliveira, o Iram da Serrana, candidato pelo PMDB, Alexandre Duarte Carvalho, candidato pelo PSC, e Marcel Rangel Garcia, o Marcel do Açougue, todos suspeitos de receberem entre R$ 50 e R$ 80 mil por mês para evitar qualquer tipo de fiscalização nas contas da prefeitura por parte da Câmara de Vereadores.

Durante a investigação a polícia descobriu, ainda, notas fiscais que contabilizavam a venda de até 60 t de carnes por mês para a prefeitura, quantidade incompatível com o tamanho da cidade - que tem, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51.483 habitantes - e com o porte do fornecedor.

A investigação começou há cerca de sete meses, depois de denúncia de um vereador ao MP. De acordo com a investigação, o grupo utilizava diversas formas para desviar verbas públicas, como o aluguel de veículos particulares a preços superfaturados - como um carro ano 1993 alugado a R$ 7 mil mensais para prestação de serviços -, fraude na compra de merenda escolar e manutenção de ar-condicionado por meio de notas superfaturadas de empresa de propriedade do presidente da Câmara, Marcelo do Queijo.

Por enquanto a polícia apreendeu R$ 300 mil em dinheiro, R$ 120 mil em cheques, joias avaliadas em R$ 1 milhão, três carros importados, três pistolas e dois revolveres. Até o momento não há provas de que o dinheiro foi usado na campanha eleitoral da cidade.

O próximo passo, segundo o subprocurador-geral, é investigar o patrimônio de todos os envolvidos. A polícia preferiu encerrar essa primeira fase agora devido à série de ameaças e intimidações que parte das testemunhas estava recebendo.

Moreira ressaltou que tanto Ismeralda, que concorre à prefeitura, quanto os vereadores envolvidos no esquema, que tentam a reeleição, seguem aptos para serem eleitos uma vez que suas candidaturas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral dentro do prazo.

Colaborou Paula Bianchi

Fonte: Terra
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