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Rio: coquetel molotov atinge segurança de consulado dos EUA

18 mar 2011
19h11
atualizado às 22h30
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Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

O protesto de movimentos antiamericanos contra a visita do presidente Barack Obama ao Brasil acabou em confronto entre manifestantes e a polícia, no Rio de Janeiro. Quinze pessoas foram detidas e encaminhadas para a 5ª DP (Gomes Freire). A confusão começou quando o grupo se deslocou até o consulado americano no Rio. Em frente ao prédio, eles leram um texto e um dos manifestantes jogou um coquetel molotov na direção da entrada do prédio. A bomba incediaria atingiu um integrante da segurança do consulado, que correu com as roupas em chamas.

Protesto violento era contra a visita de Obama ao Brasil
Protesto violento era contra a visita de Obama ao Brasil
Foto: Alessandro Buzas / Futura Press

O funcionário foi encaminhado ao Hospital Souza Aguiar e, após ser atendido, será levado a uma delegacia para realizar exame de corpo de delito. Segundo fontes do consulado, o segurança sofreu queimaduras leves. No ato de vandalismo, uma janela foi quebrada. Diversos manifestantes foram detidos.

Após o ataque, a Polícia Militar reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e de efeitos sonoro para dispersar a multidão. Até a confusão iniciar, os manifestantes eram escoltados pacificamente pela PM, que os guiou em meia pista pela avenida Rio Branco.

Prevista para começar às 16h, a manifestação de movimentos antiamericanos contra a visita do presidente Barack Obama ao Brasil só ergueu suas faixas às 17h50. O motivo do atraso foi o desentendimento entre os movimentos sobre os gritos de ordem a serem incluídos na manifestação. Alguns são contra o ditador líbio Muammar Kadafi e outros a favor, mas todos são contrários à intervenção norte-americana na Líbia.

"Quem vai morrer na Líbia não é o Kadafi, mas sim os trabalhadores daquele país, que será mais um sob o controle do EUA", afirma o servidor público Gualberto Tinoco, coordenador da Central Sindical e Popular (CSP), que também é contra o envio das tropas de paz do Brasil ao Haiti, contra acordos comerciais entre Brasil e EUA e contra a visita a visita de Obama.

Outro manifestante, Wagner Vasconcelos, líder do Movimento pela Riqueza da Cultura e do Idioma do Brasil, planejava um protesto violento caso Obama discursasse para o público. "Nós iríamos calçar sapatos velhos e quando nos aproximássemos de Obama, iríamos jogar os sapatos nele, todo ao mesmo tempo", afirmou.

Quem sofreu com os sapatos foi a bandeira dos EUA, trazida pelos manifestantes. Após a picharem com a frase "Go home", em português, "Vá para casa", os manifestantes atiraram os calçados na bandeira, em alusão ao caso de 2008, em que um jornalista iraquiano jogou os sapatos contra o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

O impasse em relação aos gritos de ordem foi solucionado diante da seguinte resolução: cada um grita o que quiser. Mas logo outra dúvida surgiu impedindo a marcha. O major Fábio Alessandro, do 13º Batalhão da Polícia Militar (PM), trouxe a notícia de que a PM impediria a caminhada pelas ruas. Os manifestantes, se assim desejassem, poderiam seguir pelas calçadas apenas, sem atrapalhar o trânsito.

Até as 18h29, a manifestação continuava estagnada diante da Candelária. Os organizadores não decidiram se vão enfrentar a polícia, ou acatar a determinação. Enquanto o novo impasse prosseguia, outra decisão foi tomada e aprovada por unanimidade. Às 17h de segunda-feira, haverá uma limpeza coletiva das calçadas da Cinelandia. "Vamos lavar com criolina e cloro a nossa Cinelândia após a passagem do líder do império", afirmou Miguel Malheiros, da coordenação da CSP.

Especial para Terra

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