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Requião toma gravador de jornalista ao falar sobre aposentadoria

25 abr 2011 - 17h44
(atualizado às 20h23)
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Claudia Andrade
Luciana Cobucci
Direto de Brasília

O senador e ex-governador Roberto Requião (PMDB-PR) tomou nesta segunda-feira o gravador de um repórter da Rádio Bandeirantes depois de ouvir uma pergunta sobre aposentadoria concedida a ex-governadores. Em sua página no microblog Twitter, o parlamentar escreveu: "Acabo de ficar com o gravador de um provocador engraçadinho. Numa boa, vou deletá-lo".

O ex-governador do Paraná se irritou ao ser questionado sobre a pensão recebida do Estado
O ex-governador do Paraná se irritou ao ser questionado sobre a pensão recebida do Estado
Foto: J. Freitas / Agência Senado

O parlamentar defendia medidas para conter a inflação ao que o repórter perguntou se, caso fosse preciso implementar uma política de redução de gastos, o senador abriria mão de sua aposentadoria vitalícia por ter exercido o cargo de governador do Paraná. Requião teria se irritado com a pergunta e tomado o gravador da mão do repórter, na tentativa de desligá-lo. Ao fracassar, o senador levou o equipamento até seu gabinete e foi seguido pelo jornalista até a porta.

Depois, o repórter foi chamado ao gabinete para devolução do chip de memória do gravador, entregue pelo filho de Requião, Maurício Tadeu. As gravações de entrevistas do jornalista foram apagadas. Após o episódio, Requião foi visto deixando as dependências do Senado.

Após o acontecimento, o repórter tentou, em vão, relatar o fato à Polícia Legislativa do Senado, que se negou a registrar o ocorrido. Segundo os policiais, episódios envolvendo parlamentares devem ser investigados pelo corregedor da Casa, cargo que está em aberto desde a morte do senador Romeu Tuma, em outubro de 2010. O repórter da Rádio Bandeirantes registrou queixa na 1ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal.

Questionado sobre a importância de o Senado ter um corregedor, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), preferiu falar sobre o colega peemedebista. "Deve ter havido um mal-entendido. O senador Requião não deve ter feito isso", disse.

O Sindicato dos Jornalistas manifestou solidariedade ao repórter. "A arbitrariedade não é prerrogativa de nenhuma autoridade. Que a censura volte para o tempo sombrio ao qual ela pertence", disse o presidente do Sindicato de Jornalistas do Distrito Federal, Lincoln Macário.

Requião causa polêmica no Twitter

Em sua página no microblog, o senador disse que a pergunta havia sido sobre a pensão da mãe do governador Beto Richa (PSDB), Arlete Richa, viúva do ex-governador José Richa. "Devia entrevistar o Beto, não a mim", escreveu. Pouco depois, Requião postou que o gravador havia sido "deletado e devolvido". Após receber mensagens de diversos usuários sobre o episódio, o ex-governador do Paraná escreveu: "O jornalista agressor está conseguindo o sucesso que pretendeu, e a 'catigoria' está alvoroçada. A discussão é boa".

Após a devolução do equipamento, Requião continuou rebatendo aqueles que reprovaram sua atitude. O parlamentar disse que vai publicar, na íntegra, a entrevista que teria se negado a conceder à Band. O senador criticou os profissionais. "Jornalistas querem transformar entrevista em Bullyng (sic), escondidos em indulgência plenária com imprensa. Censura não, respeito sim", escreveu.

Requião se mostrou irritado com a repercussão do caso no microblog. "Alguns twitters, reflexo da má imprensa, bem que mereceriam bofetada. Sou civilizado. Quero apenas aprovar direito de resposta", afirmou. O senador se defendeu dizendo que propôs, na Casa, um projeto de lei regulamentando o direito de resposta para quem se sentir lesado por matérias jornalísticas.

Aposentadorias no Paraná
No final de março, Richa cancelou as aposentadorias de ex-governadores que passaram a receber o benefício após a promulgação da Constituição de 1988. O governador aprovou parecer normativo elaborado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), que considera ilegais os benefícios porque eles não estão previstos no texto da nova Constituição, cancelando as aposentadorias dos ex-governadores Mário Pereira (1994), Jaime Lerner (1995-2002), Roberto Requião (1991-1994 e 2003-2010) e Orlando Pessuti (2010).

Pela determinação, continuam recebendo a pensão os ex-governadores Paulo Pimentel, Emílio Gomes, João Mansur, Jayme Canet e João Elísio Ferraz de Campos, além das viúvas Adelina Custaldi Novaes (viúva de José Hosken de Novais), Flora Munhoz da Rocha (viúva de Bento Munhoz da Rocha), Arlete Richa (viúva de José Richa e mãe do atual governador) e Rosi Costa Gomes da Silva (viúva de Mário Gomes da Silva).

Requião, no entanto, conseguiu liminar na Justiça para não perder o benefício de R$ 24 mil mensais. A decisão, porém, foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Estado na última semana, após o governo do Paraná recorrer da decisão liminar. Conforme a Procuradoria Geral, o pagamento ainda não havia sido cancelado e o órgão apenas havia dado início aos trâmites burocráticos após a determinação de Richa. Por isso, o desembargador Antonio Loyola entendeu que não poderia deferir um pedido liminar para um benefício que não ainda não fora cortado.

Fonte: Terra
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