atualizado às 22h13

Relator pede para arquivar denúncia de nepotismo contra Bacelar

 

O relator da representação contra o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado Guilherme Mussi (PSD-SP), pediu nesta quarta-feira o arquivamento da denúncia. Bacelar é acusado de nepotismo cruzado, utilização irregular de secretário parlamentar e negociação escusa entre parlamentar e servidor. O conselho deve votar o parecer de Mussi após o recesso parlamentar. As informações são da Agência Câmara.

Mussi considerou que os fatos apontados na representação não foram comprovados. O ofício do Psol, que originou a denúncia, se baseou em reportagem da revista Veja, de outubro do ano passado, segundo a qual Bacelar teria empregado no gabinete dele, como secretárias parlamentares, a mãe e a irmã do deputado estadual da Bahia Nelson Leal.

Em troca, Leal teria dado emprego à mãe e a um tio de Bacelar. Além disso, uma das pessoas empregadas no gabinete do deputado federal seria "laranja" dele em uma emissora de rádio na Bahia e empregada doméstica de sua família.

João Carlos Bacelar negou as acusações e acusou a irmã dele, Lílian, autora das denúncias e com quem trava uma disputa judicial por herança, de querer atacar seu "capital político". "A infeliz da senhora Lílian tem sido constantemente derrotada na via judicial, é psicopática, parte para atacar o que ela imagina ser o ponto mais frágil da família, o nosso capital político. Parte para atacar minha honra e meu caráter", afirmou.

O líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), criticou a pressa do relator em apresentar o parecer. O parlamentar defendeu a continuidade da representação. "Eu estou aqui no Congresso há dez anos e nunca vi uma matéria ser apreciada com tal celeridade e com dispensa, inclusive, de testemunhas arroladas pelo representado. Em tese, nem a defesa do representado e o contraditório em relação à representação da Mesa Diretora pôde ser exercido", declarou.

Para Guilherme Mussi, não foi necessário ouvir as testemunhas. "As testemunhas de defesa que viriam ficariam em uma mesmice. São pessoas arroladas por ele, o deputado estadual dele, um funcionário dele. Então, acho que a gente perderia o tempo dos deputados aqui", disse.

No mês passado, o Psol apresentou à Presidência da Câmara outra denúncia contra Bacelar, baseada em reportagem do jornal O Globo sobre um suposto esquema de compra e venda de emendas. Esse caso ainda passará pela Presidência antes de ser encaminhado ao Conselho de Ética.

Terra