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Reforma da ONU não é capricho do Brasil, diz Dilma

20 abr 2011
13h38
Laryssa Borges
Direto de Brasília

A presidente Dilma Rousseff voltou a defender nesta quarta-feira a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). Ao participar da cerimônia de celebração do Dia do Diplomata, enfatizou que não é um "capricho" a defesa de mudanças nos organismos multilaterais em prol de mais espaço para os países em desenvolvimento.

"Há que reformar essa governança e dar a ela a representação que os países emergentes têm hoje no cenário internacional. Do ponto de vista da segurança, a ONU também envelheceu. Os eventos mais recentes nos países árabes no norte da África mostram uma saudável onda de democracia, que desde seu início apoiamos, e refletem também a complexidade dos desafios dos tempos em que vivemos. Lidamos com fenômenos que não mais aceitam políticas imperiais, certezas categóricas e respostas guerreiras de sempre", disse a presidente no Palácio do Itamaraty.

"Reformar o Conselho de Segurança da ONU não é, portanto, um capricho do Brasil. Reflete a necessidade de ajustar esse importante instrumento da governança mundial. A correlação de forças do século XXI significa atribuir aos temas da paz e segurança a efetiva importância. Mais do que isso, exige que as grandes decisões a respeito sejam tomadas por organismos representativos e, por essa razão, mais legítimos", completou.

Política externa
Aos 109 diplomatas formandos da turma Paulo Nogueira Batista, diante dos quais discursava, Dilma relembrou ainda a defesa dos direitos humanos e, pela primeira vez, listou ponto a ponto os principais pilares da política externa do seu governo.

"A defesa dos direitos humanos desde sempre está no centro das preocupações da nossa política externa. Vamos promovê-la e defendê-la sem concessões, discriminações e sem seletividade", disse, relembrando ainda a importância da diversificação de parceiros comerciais internacionais e das políticas de integração na América do Sul.

"A América do Sul seguirá sendo prioridade da política externa no meu governo. Não há espaços para as discórdias e rivalidades que nos separaram no passsado. Os destinos da América do Sul, de cada país e do nosso, estão indelevelmente ligados", declarou.

Lula
Paraninfo da turma Paulo Nogueira Batista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, em mensagem enviada aos novos diplomatas, a evolução da diplomacia brasileira e do papel do Brasil no cenário internacional. Pediu que os novos representantes da política externa não caiam na "mesmice" e busquem relações com os demais países de forma "justa e solidária" rumo a uma ordem mundial mais equilibrada.

"A diplomacia brasileira é cada vez mais respeitada no mundo. Não há quem não admire a solidez de sua doutrina. A diplomacia brasileira passou a ser sinônimo de capacidade de trabalho, diálogo e de fazer política respeitando os interesses nacionais. Cada vez mais é claro para o mundo a importância do Brasil", disse Lula.

"A escolha do presidente Lula é o reconhecimento e um grande homem e estadista, defensor do interesse nacional, protagonista maior dos nossos esforços de integração regional. Jamais esteve indiferente aos dramas do mundo periférico", resumiu o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota.

Fonte: Terra

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