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Querem transferir crise do Planalto ao Congresso, diz Cunha

Presidente da Câmara, citado na lista da Operação Lava Jato, diz que abertura de inquérito "constrange"

12 mar 2015
11h27
atualizado às 12h35
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Em depoimento à CPI da Petrobras na manhã desta quinta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a fazer críticas ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e insinuou que o chefe do Ministério Público tenta transferir para o Congresso Nacional a crise pela qual passa o Palácio do Planalto. Cunha é um dos 47 parlamentares que tiveram abertura de inquérito autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após pedido de Janot.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

"Colocar a honra de quem quer que seja e dizer que o pedido de abertura de inquérito não constrange, constrange. Principalmente a quem está no exercício de chefia de poder. À toa. Colocar de uma forma irresponsável e leviana, por escolha política, alguém para investigação, é criar um constrangimento para transferir a crise do lado da rua para cá. E nós não vamos aceitar”, afirmou o deputado.

Para Cunha, os políticos investigados foram “escolhidos” por “natureza política”. “O Ministério Público escolheu a quem investigar. Não investigou todos e não teve um critério único para todos. Houve escolha de natureza política”, disse. "O procurador precisa explicar porque escolheu a quem investigar", completou.

Como exemplo, Cunha citou o fato de o senador Delcídio Amaral (PT-MS) não estar na lista da Lava Jato. "O arquivamento do senador Delcídio Amaral, e eu não estou fazendo uma acusação, é uma verdadeira vergonha. Existe uma contradição."

Propina
Cunha, que assumiu a presidência da Câmara em fevereiro, foi citado no depoimento de delação premiada do doleiro Alberto Youssef no âmbito da Operação Lava Jato como um dos favorecidos pelo esquema de corrupção na Petrobras.

De acordo com o doleiro, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberta Costa intermediou o contrato de aluguel de um navio-plataforma da Samsung junto à estatal, com a participação da empresa Mitsue, representada por Julio Camargo. Para firmar o contrato, Camargo teria pago propina a políticos do PMDB.

Ainda segundo o doleiro, em determinado momento a Samsung deixou de fazer os repasses, o motivou Cunha a fazer uma representação na Câmara pedindo informações à Petrobras. A intenção, na verdade, seria pressionar o pagamento da propina, e Camargo teria respondido com um pagamento de R$ 6 milhões do próprio bolso.

Youssef disse ainda que os pagamentos de Julio Camargo para Cunha eram feitos pelo lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como operador do PMDB no esquema. Em seu depoimento na CPI, Cunha voltou a negar participação no esquema de corrupção e disse que as declarações do doleiro são “absurdas”. O presidente da Câmara ainda voltou a classificar o pedido de abertura de inquérito contra ele como “piada”.

Aplausos
O presidente da Câmara se voluntariou a prestar depoimento à CPI da Petrobras na última quinta-feira, um dia antes da divulgação da lista de Janot. Na ocasião, a inclusão do nome de Cunha na relação de investigados já era dada como certa.

Nesta quinta-feira, Cunha disse que, ao se colocar à disposição da CPI, não esperava “aplauso”. “O fato de eu estar aqui hoje não impede que eu esteja aqui quantas vezes  necessário para esclarecer dúvidas acerca das minhas posições. Não vim aqui em busca de nenhum aplauso. Vim em respeito ao à investigação do maior esquema de corrupção deste País”, afirmou.

Na sequência está previsto na CPI um novo depoimento do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli.

Fonte: Terra

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