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PSDB acusa PT de reeditar 'escândalo dos Aloprados' com cartel em SP

Apontados em investigação de esquema de corrupção em São Paulo, tucanos afirmaram que informações foram forjadas

26 nov 2013
17h21
atualizado às 17h43
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Líderes do PSDB se reuniram em entrevista coletiva nesta terça-feira, em Brasília, para acusar o governo federal, comandado pelo PT, de interferir nas negociações do suposto cartel formado por empresas na construção e manutenção de linhas do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em São Paulo. Os tucanos anunciaram que moverão ações contra as acusações, pediram o afastamento do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo das investigações, e acusaram o PT de estar reeditando o “escândalo dos Aloprados” - dossiê supostamente encomendado por petistas contra o então candidato à Presidência José Serra. 

Participaram da entrevista o presidente nacional do PSDB e provável candidato do partido à Presidência em 2014, o senador Aécio Neves (MG), os líderes da legenda no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), e na Câmara, Carlos Sampaio (SP), os deputados federais Bruno Araújo (PE), Antonio Imbassahy (BA), Marquezan Junior (RS), Vanderley Macris (SP), além do presidente do partido em São Paulo, deputado federal Duarte Nogueira, e os secretários estaduais paulistas, José Aníbal e Edson Aparecido.

“O dossiê dos Aloprados, que aqui, o episódio da Siemens nos remete a um episódio muito parecido, que eu definiria como ‘Aloprados 2’, com uma diferença que em relação ao dossiê (dos Aloprados) foram presos aquele que foi o tesoureiro do PT e aquele que se intitulava o advogado do PT, o Gedimar (Passos) e o Valdebran (Padilha)”, disse Carlos Sampaio.

Segundo Sampaio e Aloysio Nunes, Cardozo precisa ser afastado imediatamente das investigações. Para o líder tucano no Senado, o ministro atrapalha o andamento das investigações e conduz o processo “com falta de decoro e seriedade”.

Os dois líderes do PSDB no Congresso citaram durante a coletiva outros dossiês que, segundo eles, foram montados por petistas, como o das Ilhas Cayman e da Lista de Furnas.

Sampaio disse que o PSDB encaminhou representações para que Cardozo e o presidente do Conselho Administrativo do Conselho Econômico (Cade), Vinícius Carvalho, prestem esclarecimentos públicos sobre as denúncias.

O líder tucano na Câmara afirmou ainda que o PT tradicionalmente “forja dossiês”. “Se uma pessoa séria recebe um documento desses, chama os assessores e rasga o documento”, disse o deputado tucano. “Foi conversa de companheiros de partido na casa dele. Houve uma sucessão de desmentidos e de posturas.”

Tucanos rebatem acusações
As declarações dos tucanos ocorrem após a divulgação de um suposto depoimento do ex-diretor da Siemens, Everton Rheinheimer, que teria apontado a ligação de seis membros do PSDB e partidos da base do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) com o esquema. 

No depoimento - posteriormente negado pelo próprio executivo -, Aloysio Nunes, os secretários estaduais Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos), Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), José Aníbal (Energia) e Edson Aparecido (Casa Civil), além do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), são apontados como beneficiários do esquema. 

Hoje, Aparecido disse que houve “adulteração” dos documentos envolvendo os tucanos nas investigações sobre o cartel e que processará coletiva e individualmente cada um que o acusa. Segundo o secretário de Alckmin, na tradução feita pelo deputado estadual paulista Simão Pedro (PT) - apontado como o responsável por levar a denúncia ao Ministério da Justiça - foram introduzidos quatro parágrafos, sobretudo, referências ao PSDB. “Houve uma clara adulteração de documentos”, disse o tucano. 

Aníbal disse ter tido acesso ao depoimento de Rheinheimer, e também afirmou que houve manipulação na tradução dos documentos do inglês para o português. “Nós tivemos acesso ontem às delações premiadas do senhor Éverton ao Ministério Público de São Paulo e à Polícia Federal. Em nenhum momento há qualquer menção, na delação premiada dele, a políticos do PSDB. Nenhuma menção”, disse o secretário. “(Cardozo) deixou de ter a postura do magistrado, do ministro que tem preferência sobre todos os demais, que é o ministro da Justiça, e passou a agir como um operador do submundo, que o PT faz com muita frequência.”

Aníbal acusou Cardozo de usar politicamente contra os adversários políticos as investigações, “(Tudo isso tem o objetivo) para tentar aquilo que é o cerne da ação petista, que é a alucinada com relação ao poder, que é jogar lama, jogar mentira, jogar podridão em cima dos adversários”, disse. Ou a presidente (Dilma Rousseff) demite o ministro, ou ela é cúmplice desse ‘Dossiê Aloprado 2’, como disse aqui o deputado Carlos Sampaio.”

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Fonte: Terra
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