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Protógenes: licença de Demóstenes do Senado seria 'prudente'

2 abr 2012
22h14
atualizado às 23h05
Marina Novaes
Direto de São Paulo

O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) afirmou na noite desta segunda-feira que seria "prudente" se o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) se licenciasse do cargo para se defender das acusações de envolvimento com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso por exploração de jogos ilegais. O parlamentar, que lançou hoje em São Paulo uma revista para cobrar a aprovação do projeto de lei que pede 30 anos de prisão a envolvidos em atos de corrupção (PL 21/2011), criticou a demora do senador goiano em explicar sua ligação com o suposto bicheiro.

"Os fatos que o envolvem são muito graves. Cada vez mais, cada dia que passa, não desgastam só o senador Demóstenes Torres, mas desgastam o Congresso Federal. (...) Um pedido de licença seria prudente", afirmou.

Gravações feitas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo revelam o envolvimento entre o senador e o empresário. Os áudios apontam que o parlamentar atuava no Legislativo e junto a órgãos públicos em favor de Cachoeira.

Para Protógenes, as denúncias envolvendo o senador - que foi secretário de Segurança de Goiás e Procurador-Geral no Estado - demonstram a urgência em se aprovar leis que aumentem a punição a corruptos, pois "a legislação de hoje privilegia a corrupção".

O deputado, que ficou famoso em 2008 quando comandou a Operação Satiagraha, da PF, também ironizou a suspeita de o senador, que levantava a bandeira da "moralidade", ter sido pego com "a boca na botija". "O arauto da moralidade foi pego com a boca na butija", afirmou.

De acordo com Protógenes, 208 dos 513 deputados federais já assinaram o pedido de abertura de uma CPI (comissão parlamentar de inquérito), protocolado por ele no último dia 20 na Câmara Federal, para investigar a relação de políticos com Cachoeira.

Na noite desta segunda-feira, o DEM se reuniu e decidiu abrir um processo de expulsão de Demóstenes. Em carta enviada ao parlamentar, o partido disse ser "inevitável a instauração do pertinente processo ético disciplinar para o fim de promover a aplicação da sanção prevista no Estatuto, qual seja a expulsão do Partido".

Mais cedo, o advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que o parlamentar não estava pronto para reunião do partido. "Se depender de nós, não tem reunião. Não tem a mínima condição", afirmou por telefone.

De acordo com Kakay, o senador só deverá se reunir com o partido quando tiver acesso a todos os autos do processo. O advogado disse que vai entrar com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal na próxima segunda-feira contestando o fato de a Justiça Federal de Goiás não ter pedido autorização à Suprema Corte para continuar as investigações envolvendo seu cliente e Carlinhos Cachoeira.

Demóstenes e Carlinhos Cachoeira
Em 6 de março de 2012, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) subiu à tribuna para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas. Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

O jornal O Globo noticiou, em 23 de março, gravações da PF que flagraram Demóstenes pedindo para Cachoeira lhe pagar R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo e vazando informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes. Em 27 de março, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado para "acompanhar a evolução dos fatos". No dia seguinte, o Psol entrou com representação contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovski autorizou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes, solicitando ainda um levantamento sobre as emendas e os projetos relatados por ele para saber se Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, foi beneficiado.

Nas gravações, Demóstenes também aparece acertando um suposto lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso em 2009. Em outra conversa, Cachoeira pede ajuda no processo de um delegado e três policiais de Anápolis (GO) acusados de tortura e extorsão. Os dois ainda conversaram sobre um "negócio" milionário na Infraero. Na ocasião, Demóstenes teria se valido da relatoria da CPI do Apagão Aéreo para levantar informações e sondar contratos de informática na estatal.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido decidiu abrir um processo que pode resultar na expulsão de Demóstenes. Conforme a nota, "houve desvio reiterado do programa partidário, principalmente no que diz respeito à ética".

Fonte: Terra
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