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Projeto que doa terreno de SP a Lula recebe vaias na Câmara

10 mai 2012
14h03
atualizado às 14h09
Ricardo Santos
Direto de São Paulo

A Câmara Municipal de São Paulo promoveu, nesta quinta-feira, uma audiência pública para discutir a cessão de um terreno avaliado em cerca de R$ 20 milhões na área conhecida como "Cracolândia", na região central da capital paulista, para o Instituto Lula, entidade fundada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sessão começou às 10h com presença de integrantes de vários movimentos contrários à doação, que criticaram ruidosamente a oferta do prefeito Gilberto Kassab (PSD) à entidade.

O representante do Instituto Lula convidado para a sessão não compareceu, e o representante do Executivo municipal falou apenas por cerca de três minutos sobre a proposta. Em seguida, falaram alternadamente vereadores, funcionários e integrantes dos movimentos Adote um Corrupto, União Jovem, Nas Ruas, 31 de Julho e Revoltados On Line.

O vereador José Américo (PT), um dos poucos a falar que defenderam a proposta, foi ruidosamente contestado pelas cerca de 50 pessoas presentes à audiência. "Estamos falando de concessão de terreno de uma área degradada, e o Instituto Lula vai ajudar a revitalizá-lo", disse ele, sob vaias. "Devemos fazer uma discussão objetiva, e não uma discussão ideológica." O presidente da Câmara, José Police Neto (PSD), chegou a ameaçar suspender a sessão durante os gritos.

Henrique Sugaya, procurador da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, concentrou a opinião de algumas pessoas em sua fala. "O presidente Lula poderia declinar esse pedido e construir ali um centro de tratamento de câncer", afirmou ele. O movimento Nas Ruas, representado pela gerente Carla Zambele, também tem a proposta de construir, no local, um posto de saúde para atender dependentes químicos e pessoas especiais.

A síndica Lair Bortolini de Castro exaltou-se mais e criticou a doação do terreno ao Instituto ligado ao ex-presidente petista. "Provavelmente nesse lugar vão ensinar luta armada e terrorismo", afirmou ela. O vereador Floriano Pesaro (PSDB), por sua vez, foi mais ameno. "É imoral doar um terreno público a um instituto privado, ligado a um partido político, para contar a história da democracia", disse ele, que não excluiu a construção de um memorial. "Isso deve ser feito com outros partidos, pois o PT tem tendência stalinista, autoritária, e sempre foi contra a democracia."

De acordo com o projeto de Kassab, o Instituto Lula deverá receber o terreno gratuitamente, pelo prazo renovável de 99 anos, para construir um museu batizado de Memorial da Democracia. No último dia 18, a proposta foi aprovada em primeira votação pela Câmara, por 37 votos a 10. O texto ainda precisa passar por uma segunda votação, que não tem data marcada.

Fonte: Terra

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