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Prisão de condenados do Mensalão é golpe real contra impunidade, diz advogada

16 nov 2013
20h11

As prisões de 12 condenados ao Mensalão, que começaram a se entregar na sexta-feira, são um golpe "real" contra a impunidade, afirmou neste sábado a advogada Nê Fonseca.

"Além de ser um fato inédito para a política e a jurisprudência brasileira, desde a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) até a prisão dos condenados, se trata de um golpe real contra a impunidade que caracteriza sempre os processos por corrupção", disse Nê à Agência Efe.

Ontem, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, sem consultar o resto dos magistrados, determinou a ordem de captura para 12 dos 16 condenados do Mensalão.

No total, dos 38 investigados pelo caso, entre os quais figuram políticos e empresários, 25 foram condenados em dezembro de 2012 e deles, nove têm recursos pendentes na Justiça.

O STF julgou a rede de corrupção tecida pelo PT em 2002, quando Lula ganhou as eleições pela primeira vez, e segundo considerou provado o STF, permitiu custear campanhas e subornar outros quatro partidos que deram ao Governo a maioria parlamentar que não conquistou nas urnas.

"A imagem de que o STF tinha conseguido condenar os acusados, inclusive com o voto de magistrados que tinham sido indicados para chegar ao STF pelo (então) presidente Lula, estava correndo o risco de desmoronar se as prisões não ocorressem", comentou a advogada.

Muitas pessoas alheias ao entendimento jurídico do complexo caso seguiram atentas pela televisão as sessões do STF nas quais foram julgados os acusados e Barbosa, que também foi relator do processo, passou a ter um reconhecimento nas ruas e em diferentes esferas sociais do país.

"O magistrado Barbosa demonstrou que neste país é possível fazer justiça e nos passou, aos que não entendem nada de leis, que se pode confiar na Constituição do país", expressou à Agência Efe a empregada doméstica Hilda Pereira.

O ex-presidente do PT José Genoino e o ex-ministro de Presidência José Dirceu, duas emblemáticas figuras do partido de Governo, foram ontem os primeiros a se entregar na Polícia Federal (PF) em São Paulo.

Genoino, Dirceu e sete implicados que se entregaram em Belo Horizonte, entre eles o publicitário Marcos Valério, apontado como o operador do esquema, foram transferidos hoje em um avião da PF a Brasília, onde serão levados a presídios para cumprir suas penas, algumas em regime semi-aberto.

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, único dos condenados com ordem de captura no Rio de Janeiro, fugiu para Itália antes da decisão do STF e segundo seus advogados e parentes, pedirá um novo julgamento no país europeu, onde tem também nacionalidade.

EFE   

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