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Presidente do PSDB diz que partido confia em Marconi Perillo

4 abr 2012
16h56
atualizado às 18h00
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O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), disse nesta quarta-feira que o partido confia no governador de Goiás, Marconi Perillo, no que se refere ao possível envolvimento dele com o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Na reunião do partido, o Democratas decidiu abrir processo para expulsar Demóstenes Torres
Na reunião do partido, o Democratas decidiu abrir processo para expulsar Demóstenes Torres
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Depois do vazamento para a imprensa de conversas da chefe de gabinete de Perillo, Eliane Gonçalves Pinheiro, com Cachoeira, surgiu a suspeita de que o governador goiano também pudesse estar envolvido no esquema de jogos ilegais no Estado. Mas, para o presidente do PSDB, os vazamentos têm sido "seletivos" e sempre voltados para a oposição.

"O partido não enxerga muita coisa, uma funcionária está envolvida nessas fitas gravadas. Nós estranhamos que essas fitas sejam seletivas, sempre voltadas para a oposição. A gente tem muita calma. O que houver para investigar, vamos investigar. O que houver para esclarecer, vamos pedir esclarecimentos. Reiteramos, de maneira muito tranquila, a confiança no governador de Goiás", disse Sérgio Guerra a jornalistas em Brasília.

Guerra também elogiou a postura do tradicional aliado político do PSDB, o Democratas, que ameaçou expulsar o senador Demóstenes Torres (GO) em função dos constantes vazamentos de conversas dele com Cachoeira. Guerra disse que, se for o caso, o PSDB apoiará a proposta do DEM de instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as denúncias sobre o bicheiro e o envolvimento dele com outros parlamentares. "O Democratas teve uma atitude exemplar na questão que envolve o senador Demóstenes Torres. Sempre que eles defendem algo, nós, normalmente, apoiamos", disse o presidente tucano.

Carlinhos Cachoeira foi preso na Operação Monte Carlo da Polícia Federal e permanece na cadeia desde então. Durante as investigações, a PF gravou inúmeras conversas dele, que é considerado o controlador do jogo do bicho e de outros jogos ilegais em Goiás, com Demóstenes Torres e os deputados Sandes Júnior (PP-GO), Carlos Lereia (PSDB-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ).

Demóstenes e Carlinhos Cachoeira
Em 6 de março de 2012, o senador Demóstenes Torres (GO) subiu à tribuna para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas. Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

O jornal O Globo noticiou, em 23 de março, gravações da PF que flagraram Demóstenes pedindo para Cachoeira lhe pagar R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo e vazando informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes. Em 27 de março, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado para "acompanhar a evolução dos fatos". No dia seguinte, o Psol entrou com representação contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovski autorizou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes, solicitando ainda um levantamento sobre as emendas e os projetos relatados por ele para saber se Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, foi beneficiado.

Nas gravações, Demóstenes também aparece acertando um suposto lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso em 2009. Em outra conversa, Cachoeira pede ajuda no processo de um delegado e três policiais de Anápolis (GO) acusados de tortura e extorsão. Os dois ainda conversaram sobre um ¿negócio¿ milionário na Infraero. Na ocasião, Demóstenes teria se valido da relatoria da CPI do Apagão Aéreo para levantar informações e sondar contratos de informática na estatal.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido decidiu abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda.

Agência Brasil Agência Brasil

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