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PR: protesto reúne 2,5 mil contra irregularidades na Assembleia

8 jun 2010
22h16
atualizado às 22h30
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Roger Pereira
Direto de Curitiba

Manifestantes pediram o afastamento do presidente e do primeiro-secretário da Assembleia do PR
Manifestantes pediram o afastamento do presidente e do primeiro-secretário da Assembleia do PR
Foto: Roger Pereira / Especial para Terra

Cerca de 2,5 mil pessoas se reuniram na noite desta terça-feira, na Boca Maldita no centro de Curitiba (PR), para pedir o afastamento do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Nelson Justus (DEM), e do primeiro-secretário, Alexandre Curi (PMDB).

Durante o protesto, convocado pela Ordem dos Advogados do Brasil seccional Paraná, os manifestantes protestaram contra as denúncias de atos secretos e contratação de funcionários fantasmas no Legislativo paranaense. Quatro ex-servidores foram presos. Segundo o Ministério Público Estadual, foram desviados R$ 100 milhões dos cofres públicos.

"Vemos com preocupação a situação do legislativo estadual, mas com otimismo o movimento em que a população vai à rua para dar um basta na impunidade e falta de ética. É assim que veremos a pauta política ser definida pela sociedade e não por aqueles que acreditam que o voto libera a corrupção", disse o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante.

A manifestação reuniu representantes das mais diversas entidades, como as centrais sindicais, o movimento estudantil e a Federação das Indústrias e do Comércio. "Os 50 gatos pingados, que foram ironizados pelos deputados, hoje viraram milhares. O escândalo é tão grande que mobilizou até entidades que não costumam vir às ruas", disse o presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Paulo Moreira. A entidade iniciou, há dois meses, o movimento Caça-fantasmas, que cobrava punição aos responsáveis pelos crimes na Assembleia.

Sete dos 54 deputados estaduais paranaenses se manifestaram favoráveis ao afastamento da mesa diretora: Tadeu Veneri (PT), Douglas Fabrício, Marcelo Rangel, Felipe Lucas (todos do PPS), Neivo Beraldin (PDT), Ney Leprevost (PP) e Luiz Eduardo Cheida (PMDB).

Durante a mobilização ocorreram discursos dos representantes das várias entidades, apresentações musicais e distribuição de bandeiras e adesivos. "Vim aqui cobrar Justiça. Pago meus impostos corretamente, não posso aceitar que meu dinheiro seja desviado", disse a aposentada Cláudia Ferrer, 51 anos. "Acho que o Paraná está dando exemplo para o Brasil. Atos como esse devem acontecer em vários outros Estados", afirmou.

A funcionária pública Juliana Gomes, 25 anos, disse que o escândalo pode despertar a consciência do eleitor na hora do voto. "Não vai dar tempo de o povo esquecer. A sociedade vai acordar e votar diferente em outubro", disse.

A OAB e a Associação dos Juízes Federais do Paraná elaboraram um anteprojeto de lei que será encaminhado amanhã à Assembleia. A medida sugere a divulgação de todos os atos e gastos da Casa, a realização de concurso público para cargos que hoje são comissionados, a realização de auditoria externa e a definição de mandatos para as funções de direção, com limite de uma reeleição.

Redação Terra

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