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Pessimista, líder do PSDB no Senado não acredita em CPI da Rosemary

10 dez 2012
15h24
Mauricio Tonetto

As nove assinaturas que faltam para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para aprofundar as investigações sobre a operação Porto Seguro, que envolvem Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, são praticamente impossíveis de conseguir, conforme o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias. Em tom pessimista, ele afirmou que obteve 18 assinaturas, mas não acredita em mobilização dos colegas para chegar às 27 necessárias, e praticamente descartou a comissão. Segundo ele, os senadores "têm pavor de CPI".

Segundo Alvaro Dias, senadores têm "pavor de CPI" e governo não quer investigações
Segundo Alvaro Dias, senadores têm "pavor de CPI" e governo não quer investigações
Foto: José Cruz / Agência Brasil

"O governo não quer saber de investigar nada, só quer uma maioria dócil, subserviente, que não colabora com investigação alguma. Vamos colocar o requerimento à disposição de todos, porém, estou pessimista. A blindagem é grande, o governo fica em pânico quando surge a hipótese de ouvir a Rosemary", disse o senador.

"Isso tudo é ruim, pois a sujeira vai ficando embaixo do tapete. A maioria dos senadores tem pavor de CPI, os governistas por motivos óbvios e os outros por se cansarem de tantas tentativas frustradas nos últimos anos. Quantas vezes tentamos CPIs para investigar corrupção no governo e não conseguimos?", completou Dias.

Para o senador, apesar de toda a publicidade em torno do escândalo, muitas dúvidas ainda restaram a respeito da Operação Porto Seguro e uma CPI no Congresso teria o poder de aprofundar as investigações para esclarecer o alcance da atuação da quadrilha. O tucano lembrou também que Rosemary já havia figurado em outro rumoroso caso de corrupção, do uso indiscriminado dos cartões corporativos.

Alvaro Dias citou que, em 2008, apresentou requerimento na CPI que investigava o caso, pedindo a convocação de Rosemary. O senador também apresentou requerimento de informações para ter acesso a detalhes dos gastos do escritório da Presidência da República na capital paulista.

Operação Porto Seguro
Deflagrada no dia 23 de novembro pela Polícia Federal (PF), a operação Porto Seguro realizou buscas em órgãos federais no Estado de São Paulo e em Brasília para desarticular uma organização criminosa que agia para conseguir pareceres técnicos fraudulentos com o objetivo de beneficiar interesses privados. A suspeita é de que o grupo, composto por servidores públicos e agentes privados, cooptava servidores de órgãos públicos também para acelerar a tramitação de procedimentos.

Na ação, foram presos os irmãos e diretores Paulo Rodrigues Vieira, da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Além das empresas estatais em Brasília, como a Anac, a ANA e os Correios, foram realizadas buscas no escritório regional da Presidência em São Paulo, cuja então chefe, Rosemary Nóvoa de Noronha, também foi indiciada por fazer parte do grupo criminoso. O advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves, também foi indiciado durante a ação.

Exonerada logo após as buscas, Rosemary ela teria recebido diversos artigos como propina. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, em troca do tráfico de influência que fazia, ela chegou a ganhar um cruzeiro com a dupla sertaneja Bruno e Marrone, cirurgia plástica e um camarote no Carnaval do Rio de Janeiro.

O inquérito que culminou na ação foi iniciado em março de 2011, quando, arrependido, Cyonil da Cunha Borges de Faria Jr., auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), procurou a PF dizendo ter aceitado R$ 300 mil para fazer um relatório favorável à Tecondi, empresa de contêineres que opera em Santos (SP). O dinheiro teria sido oferecido por Paulo Rodrigues Vieira entre 2009 e 2010. Vieira é apontado pela PF como o principal articulador do esquema. Na época, ele era ouvidor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e conselheiro fiscal da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Em decorrência da operação, foram afastados de seus cargos o inventariante da extinta Rede Ferroviária Federal S.A., José Francisco da Silva Cruz, o ouvidor da Antaq, Jailson Santos Soares, e o chefe de gabinete da autarquia, Enio Soares Dias. Também foi exonerada de seu cargo Mirelle Nóvoa de Noronha, assessora técnica da Diretoria de Infraestrutura Aeroportuária da Anac. O desligamento ocorreu a pedido da própria Mirelle, que é filha de Rosemary.

Fonte: Terra
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