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Na Alemanha, Lula critica ONU e defende mudanças em conselho

7 dez 2012
16h49
atualizado às 17h21
Clarissa Neher
Direto de Berlim

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira em Berlim do congresso internacional "Mudando o rumo para uma vida melhor", organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha, o IG Metall. Lula também participou de uma conversa na Fundação Friedrich Ebert com Frank-Walter Steinmeier, líder da bancada do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) no parlamento. Durante os eventos Lula falou sobre o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e a crise europeia.

 Durante eventos em Berlim, Lula falou sobre o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e a crise europeia
Durante eventos em Berlim, Lula falou sobre o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e a crise europeia
Foto: Clarissa Neher / Especial para Terra

Lula foi convidado pela IG Metall para dar uma palestra sobre os caminhos para um mundo justo. Cerca de 600 pessoas ouviram atenciosamente o discurso do ex-presidente, que falou sobre sua trajetória sindical e experiência no governo. "Eu tinha uma obsessão de ganhar as eleições, porque eu precisava provar que um trabalhador metalúrgico poderia fazer mais do que a elite política brasileira tinha feito ao longo da história do meu país", disse ele. Durante o discurso, que durou mais de uma hora, Lula foi aplaudido em vários momentos.

Após o congresso, o ex-presidente seguiu para a Fundação Friedrich Ebert. Na conversa aberta ao público, Lula defendeu a reformulação do Conselho de Segurança ONU. "Não aceito a ideia de que o Conselho de Segurança ainda seja o mesmo que era em 1948", criticou o ex-presidente. Segundo Lula, mais países deveriam fazer parte do conselho permanente, por exemplo, representantes da África e América Latina. O ex-presidente acredita que não há uma mudança, pois quem está no conselho não deseja repartir o poder.

"Eu acho que tem gente no mundo que não quer paz. Quem quer paz é povo, mas tem governantes que precisam da discórdia, necessitam da discórdia para poder ser importante. Se não, não teria nenhuma explicação a gente não ter paz no Oriente Médio. A mesma ONU que criou o Estado de Israel, por que não cria o Estado Palestino? Fico pensando nessas coisas e isso me convence que precisamos mudar o conselho de segurança. Mudar para o bem da humanidade e para o bem da paz", falou.

Durante o encontro, Steinmeier elogiou a política externa do governo Lula. "Você conseguiu o que nós na política externa clássica ocidental perdemos nos últimos 15 anos. Apesar de interesses diferentes e até sistemas diferentes nos estados sul-americanos, seu conceito político foi o da integração, mesmo com parceiros difíceis. A política de integração com os países vizinhos mudou positivamente a América do Sul", declarou o político, que foi ministro do Exterior alemão de 2005 até 2009.

A crise europeia também foi tema discutido por Lula. "Era uma pequena gripe, que não cuidada corretamente virou uma pneumonia", comparou. O ex-presidente disse que não há um país culpado pela crise e a solidariedade dos países mais ricos é muito importante para resolver a situação. Lula acredita que os mesmos compromissos fiscais devem valer para toda a União Europeia, entretanto, os prazos deveriam ser mais longos. "O Estado que vocês conquistaram é um patrimônio da humanidade e não pode ser jogado fora por conta de uma crise causada pela irresponsabilidade do sistema financeiro", afirmou Lula.

Porto Seguro
Entre um encontro e outro, Lula foi questionado por jornalistas sobre a Operação Porto Seguro. Ele negou ter ficado surpreso com a investigação da Polícia Federal, que indiciou a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha. "Eu não fiquei surpreso", disse Lula, que não quis comentar mais o assunto.

De Berlim o ex-presidente segue para Doha, onde fará uma palestra no fim de semana. Na terça e quarta-feira, Lula participará de um evento em Paris.

Fonte: Especial para Terra

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