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MS: após a posse, Puccinelli acusa Lupi de fazer "terror"

1 jan 2011
14h26
atualizado às 16h03
Lucia Morel
Direto de Campo Grande

O governador reeleito de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB) acusou o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT) de mesquinhez nesta manhã, durante o encerramento de seu discurso ao empossar os secretários de governo. "Não podemos ter o terror no Brasil, por isso peço que Deus ilumine a Dilma e dê muita sabedoria". Ao ser questionado pela imprensa porque teria utilizado e palavra "terror" ele foi enfático: "por causa do Lupi, ué. Como pode um ministro recusar atender um Estado por três vezes e nem mesmo dar retorno?", questionou.

Puccinelli afirmou que por três vezes procurou agendar audiências com o ministro para tratar de assuntos da pasta, mas as reuniões foram negadas. "Um ministro não atender três vezes um governador é absurdo. Eu acho que a Dilma vai bater a mão na mesa e dizer: atende ele lá!", disse. O governador emendou dizendo que espera que em sua administração, Dilma se posicione em apoio a Mato Grosso do Sul e "não de forma mesquinha como fez o Ministério do Trabalho". Lupi é do PDT, mesmo partido do candidato derrotado ao Senado Federal por MS, Dagoberto Nogueira, que é adversário político de Puccinelli. O governador não comentou se esse fato político teria relação com as sucessivas reuniões negadas.

Segundo o governador, a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT) é uma excelente "técnica" e acredita que ela fará um bom governo. Mesmo não indo à posse de Dilma em Brasília (DF), já que foram adversários políticos durante as eleições de 2010 - a presidente apoiou o tradicional adversário político de Puccinelli, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT - o governador destacou que tem certeza de que a presidente se posicionará a favor do Estado quem sabe até poderá aumentar os repasses federais a MS. "Somos o 27º estado em repasses voluntários do governo federal, ou seja, o último. Quem sabe esses recursos não aumentam?".

Sobre a possibilidade de dificuldades políticas por serem de partidos opositores, o governador sustentou o discurso de que conduzirá as "conversas com o governo federal da mesma maneira que faço no Estado, atendendo a todos, e sei que a Dilma, tenho certeza, pela formação que tem, vai atender os brasileiros sul-mato-grossenses". Puccinelli ainda informou que uma de suas primeiras ações durante o segundo mandato será de agendar uma audiência com a presidente e requisitar mais recursos e apresentar as reclamações de Mato Grosso do Sul.

Entre as reclamações, o governador citou a cobrança do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) sobre o gás natural que percorre o estado para chegar à região sudeste. O percentual repassado pela Petrobras ao Estado pelo gasoduto é menor que o repassado a outros estados. "A Petrobras não pode nos sacanear pagando menos imposto pelo nosso gás", sentenciou.

Ao final de sua conversa com a imprensa, Puccinelli não falou em "aposentadoria política", já que em 2014 encerra seu segundo mandato como governador, aos 67 anos. "Isso quem vai dizer é o povo. 2014 ainda está muito longe", garantiu.

Puccinelli foi reeleito no primeiro turno, com 56 % dos votos
Puccinelli foi reeleito no primeiro turno, com 56 % dos votos
Foto: Divulgação
Fonte: Especial para Terra

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