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MP defende versão de crime político para morte de Celso Daniel

9 mai 2012
15h55
atualizado às 17h22
Hermano Freitas
Direto de São Paulo

O promotor Márcio Augusto Friggi afirmou nesta quarta-feira que o Ministério Público de São Paulo sustentará a versão de crime político para a morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, no julgamento de cinco réus a partir desta quinta-feira. Segundo as investigações do Ministério Público, Daniel ofereceu resistência a um esquema de desvio de verbas da prefeitura de sua cidade ao descobrir que estava servindo ao enriquecimento dos envolvidos e por isso foi morto em janeiro de 2002.

"Sem nenhuma dúvida", enfatizou Friggi, ao ser questionado sobre o elo entre o crime e o esquema de financiamento da campanha do ex-presidente
"Sem nenhuma dúvida", enfatizou Friggi, ao ser questionado sobre o elo entre o crime e o esquema de financiamento da campanha do ex-presidente
Foto: Hermano Freitas / Terra

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"Ele conhecia este esquema e, enquanto achou que servia apenas ao financiamento de campanha do Partido dos Trabalhadores, tolerava. Mas, quando soube que também enriquecia pessoalmente o grupo, passou a investigar", disse o promotor. De acordo com o promotor, o político era um dos principais articuladores da campanha do então candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o dinheiro desviado dos cofres públicos foi para o caixa 2 daquela campanha. "Sem nenhuma dúvida", enfatizou, ao ser questionado sobre o elo entre o crime e o esquema de financiamento da campanha do ex-presidente.

No julgamento desta quinta, a acusação deve apresentar provas como o cruzamento de ligações entre os acusados e a confissão de um dos réus, Elcid Brito, o John, que colaborou com as investigações confessando o crime e confirmando a motivação política por trás do sequestro e morte. Os envolvidos foram contratados para "arquivar" o prefeito, no linguajar dos criminosos. No curso das investigações, sete pessoas ligadas aos fatos apareceram mortas em circunstâncias misteriosas, inclusive um médico legista que examinou o corpo da vítima. Este fator seria um inibidor para as testemunhas. Nenhuma foi arrolada pela acusação, mas 13 foram chamadas pela defesa.

Ao menos R$ 100 milhões teriam sido desviados da administração municipal para financiar o partido, de acordo com outro processo de improbidade administrativa que corre na Justiça. Consta nos autos do processo, segundo o MP, que o atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, teria levado em uma ocasião ao ex-Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu, R$ 1,2 milhão em espécie oriundos do esquema. Procurada, a assessoria de imprensa do Instituto Lula não quis comentar a associação da morte de Celso Daniel com a campanha do ex-presidente.

Fonte: Terra
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