Ministros defendem programa Mais Médicos em reunião do Conselhão

17 jul 2013
12h46
atualizado às 13h40

A reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) serviu de palco nesta quarta-feira para o governo defender o programa Mais Médicos, alvo de críticas de entidades que representam esses profissionais e resistência de parlamentares no Congresso.

Lançado pela presidente Dilma Rousseff em resposta a reivindicação feita durante protestos disseminados pelo país, o programa é criticado por prever a importação de médicos e a mudança na formação dos estudantes de medicina. Entidades representativas, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), posicionaram-se contra as propostas do governo e também foram às ruas.

A defesa do programa durante a reunião do CDES, o chamado Conselhão, foi feita pelos ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Saúde, Alexandre Padilha. Os dois petistas, que são apontados como possíveis candidatos ao governo de São Paulo em 2014, fizeram discursos parecidos, em alguns momentos invadindo as competências um do outro.

O ministro da Educação defendeu a mudança da formação dos futuros médicos como forma de melhorar a situação da saúde pública no país e argumentou que quando o governo colocou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como método de avaliação para que os alunos conseguissem ingressar na faculdades também sofreu resistências.

"A resistência do Enem foi a mesma, a indústria de vestibular não queria, também tivemos resistência com a política de cotas", disse.

Padilha voltou a defender a contratação de médicos estrangeiros quando houver necessidade, quando não houver profissionais brasileiros para atender regiões com poucos ou nenhum médico.

O ministro da Saúde disse que "a culpa não é dos médicos" por haver déficit de profissionais. "Temos um mercado extremamente aquecido pela busca de serviços de saúde", argumentou.

No Congresso, a medida provisória que regulamenta o programa já recebeu mais de 400 emendas, o que indica que os parlamentares pretendem fazer muitas mudanças no texto enviado pelo governo, podendo descaracterizar os principais eixos da iniciativa da presidente.

O programa anunciado na semana passada tem três eixos: mudar a formação dos futuros médicos a partir de 2015, tornando obrigatório que eles prestem atendimento básico de saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por dois anos; aumentar os investimentos para a infraestrutura de saúde, num total de 15 bilhões de reais até 2014; e levar médicos brasileiros e estrangeiros a municípios que tenham média inferior à nacional de 1,8 médico por grupo de mil habitantes.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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