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Ministro garante comando do Esporte ao PCdoB se Silva sair

20 out 2011
19h49
atualizado às 20h12
Diogo Alcântara
Direto de Brasília

O secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, tranquilizou nesta quinta-feira o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, e negou que o partido vá perder o comando do Ministério do Esporte em caso de um possível afastamento do atual ministro da pasta, Orlando Silva. A reunião entre os dois durou cerca de 40 minutos e contou com a presença das ministras Gleise Hoffman, da Casa Civil, e Ideli Salvatti, das Relações Institucionais.

Sobre a permanência de Orlando Silva na pasta, o ministro disse que a decisão cabe "única e exclusivamente à presidente Dilma". Além de garantir que o PCdoB não perderia o comando do Esporte, Carvalho falou da relação com o partido. "Nós temos com o PCdoB uma relação histórica, não é uma crise como essa que vai acabar com a relação (...). Nós asseguramos ao Renato Rabelo que não está em pauta nossa relação com o PCdoB."

Gilberto Carvalho também desqualificou as acusações do policial militar João Dias Ferreira contra Orlando Silva. Segundo ele, as denúncias são "inconsistentes" e que a suspeita levantada "tem se revelado cada dia mais desqualificada na acusação que ela faz".

Segundo o ministro Gilberto Carvalho, uma eventual mudança no comando do Ministério do Esporte não alteraria a forma como o governo brasileiro está conduzindo a organização da Copa do Mundo. De acordo com ele, Orlando Silva tem agido em perfeita sintonia com a vontade do Palácio do Planalto.

"Quem imagina que uma eventual remoção do Orlando poderá mudar um milímetro da posição brasileiro (sobre a organização para a copa) está completamente equivocado". O ministro disse que a presidente Dilma Rousseff foi informada sobre as suspeitas no Esporte e que ela deverá tomar uma decisão assim que voltar da viagem às África.

As acusações contra Orlando Silva
Reportagem da revista Veja de outubro afirmou que o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), lideraria um esquema de corrupção na pasta que pode ter desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos. Segundo o delator, o policial militar e militante do partido João Dias Ferreira, organizações não-governamentais (ONGs) recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Orlando teria recebido, dentro da garagem do ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes dos desvios que envolveriam o programa Segundo Tempo - iniciativa de promoção de práticas esportivas voltada a jovens expostos a riscos sociais.

João Dias Ferreira foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar dos desvios. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte.

O ministro nega as acusações e afirmou não haver provas contra ele, atribuindo as denúncias a um processo que corre na Justiça. Segundo ele, o ministério exige judicialmente a devolução do dinheiro repassado aos convênios firmados com Ferreira. Ainda conforme Orlando, os convênios vigentes vão expirar em 2012 e não serão renovados.

Ministro do Esporte, Orlando Silva, presta esclarecimentos na Câmara dos Deputados sobre denúncias de irregularidades no ministério
Ministro do Esporte, Orlando Silva, presta esclarecimentos na Câmara dos Deputados sobre denúncias de irregularidades no ministério
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
Fonte: Terra
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