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Ministro do Esporte nega ter perdido poderes sobre Copa de 2014

19 out 2011
17h18
atualizado às 21h15
Laryssa Borges
Direto de Brasília

O ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), negou nesta quarta-feira que tenha perdido poderes ou o papel de interlocutor do governo brasileiro nas negociações sobre a Copa do Mundo de 2014. Citado em acusações de que teria envolvimento em um suposto esquema de corrupção para a liberação de recursos públicos para ONGs, o ministro disse que o episódio não alterou sua posição como responsável pelas negociações, junto ao Congresso, pela aprovação da Lei Geral da Copa e afirmou que o papel de coordenador das ações do Mundial lhe foi conferido pela presidente Dilma Rousseff.

"A Fifa e o Brasil têm o mesmo objetivo, que é fazer uma grande Copa. A atribuição de coordenar o trabalho foi conferida pela presidente da República na primeira reunião e foi instituída por um decreto presidencial", disse ele ao participar de audiência pública no Senado Federal, em Brasília.

O denunciante do suposto esquema do qual Orlando Silva faria parte, João Dias Ferreira, foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar de desvios de recursos destinado a um programa da pasta. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte.

De acordo com Ferreira, o esquema utilizava o programa Segundo Tempo para desviar recursos usando ONGs como fachada. Orlando Silva foi apontado como mentor e beneficiário desse esquema. As ONGs recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Conforme a acusação, o ministro teria recebido, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes da quadrilha. Parte desse dinheiro, acusa a revista Veja, foi usada para pagar despesas da campanha presidencial de 2006.

Aos senadores, o ministro do Esporte saiu em defesa de seu antecessor na pasta, o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, que responde a processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suposta propina na pasta do Esporte. "O governador Agnelo Queiroz recebeu um dirigente de entidade esportiva. Tenho certeza que ele não tem nenhum vínculo com essa pessoa que seja diverso do vínculo pautado pelo interesse público", disse.

Em sessão conjunta no Senado, Orlando Silva voltou a negar as acusações de que teria envolvimento com o suposto esquema de corrupção e disse que é alvo de acusações 'vis e sem provas". "Se pretende tirar o ministro de Estado do governo no grito", resumiu ele.

Fonte: Terra
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