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Ministro diz que protestos pró-impeachment cheiram a "golpe"

Pepe Vargas, que cuida da articulação política do governo, acredita que parte dos manifestantes não apoiam retirada de Dilma

12 mar 2015
13h32
atualizado às 17h22
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O ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse nesta quinta-feira (12) que protestos para defender o impeachment da presidente Dilma Rousseff cheiram a "golpe" e isso é "inadmissível".

<p>"Há uma presidente no exercício do seu cargo e ungida pelas urnas", disse Pepe Vargas</p>
"Há uma presidente no exercício do seu cargo e ungida pelas urnas", disse Pepe Vargas
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

A avaliação do ministro, que é responsável pela articulação política do governo, ocorre três dias antes das manifestações contra a petista que estão sendo convocadas no Brasil inteiro, e um dia depois do PSDB, maior partido de oposição, ter chamado sua militância para integrar os protestos.

"Há uma presidente no exercício do seu cargo e ungida pelas urnas. E falar em impeachment, com todo respeito, é desrespeitar a vontade majoritária da população brasileira que foi às urnas, é algo que cheira a golpe e isso é inadmissível", disse o ministro a jornalistas nesta quinta-feira, após participar de um café da manhã com líderes aliados da Câmara.

Questionado se todos que forem às ruas no domingo pedindo o impeachment seriam golpistas, o ministro afirmou que não acredita que só haverá manifestantes pedindo isso nas ruas. "Acho que não vai todo mundo para a rua no domingo a favor do impeachment. Essa é a tese de alguns da oposição sim", argumentou.

Pepe é o primeiro ministro a classificar as manifestações pró-impeachment como "golpe". Esta semana, a presidente e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disseram que a contestação do resultado das urnas seria um "terceiro turno" das eleições.

A manifestação do ministro ocorre um dia depois de o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), convocar a militância tucana para ir às ruas protestar contra o governo. Aécio, que perdeu as eleições presidenciais no segundo turno para Dilma, disse que não irá aos protestos para não reforçar o discurso de terceiro turno.

O governo acompanha com apreensão as manifestações convocadas para domingo, ainda mais depois de a presidente ter sido vítima de protestos e panelaços em várias cidades do País enquanto fazia um pronunciamento na TV no último domingo.

Uma fonte do governo disse à Reuters, sob condição de anonimato, que Dilma pediu aos principais ministros que permaneçam em Brasília no domingo para analisar a repercussão e o impacto das manifestações.

Uma outra fonte do Palácio do Planalto afirmou, também pedindo para não ter seu nome revelado, que o governo está monitorando nas redes sociais as convocações para os protestos. "O que estamos vendo é que há muitos robôs operando nas convocações e tentando inflar os protestos", disse a fonte.

Dilma enfrentará a onda de protestos no momento em que o governo passa por uma crise política com o Congresso, tenta levar adiante uma série de medidas para fazer um forte ajuste fiscal e vê sua popularidade no menor nível.

Uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou, no começo de janeiro, que apenas 23% da população considera a gestão da petista como ótima ou boa.

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