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'Meu cabeleireiro é gay', se defende vereador do Dia do Hétero

2 ago 2011
19h28
atualizado às 21h47
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Demétrio Rocha Pereira

O vereador de São Paulo Carlos Apolinario (DEM), cujo projeto de lei que cria o Dia do Orgulho Heterossexual na capital paulista foi aprovado nesta terça-feira na Câmara, disse ao Terra que a criação da data busca apenas levantar o debate sobre "privilégios e excessos" de que supostamente se beneficiam os homossexuais e garantiu que não é homofóbico. "Meu cabeleireiro é gay. Ele me abraça, me beija, não tem nenhum problema", disse Apolinario.

O que preocupa o vereador são decisões como a de permitir que a parada gay seja realizada na Avenida Paulista, enquanto eventos evangélicos e sindicais teriam sido vetados pela prefeitura devido à existência de hospitais na região. "Tiraram Jesus, tiraram CUT (Central Única dos Trabalhadores) e mantiveram parada gay. Mas se pode parada gay, por que não pode as outras? Não tenho nada contra o evento dos homossexuais, é direito deles. Mas em muitos casos eles não têm buscado direitos, e sim privilégios", lamentou Apolinario, que tem uma rádio gospel e é evangélico da Assembleia de Deus.

"Na parada (gay) de 2010, a prefeitura distribuiu R$ 1 milhão em camisinhas e gel. O governo poderia ter feito um folheto que serve para gay e hetero, com informações dando conta de que sexo sem camisinha pode causar aids. Será que precisa dar gel para gay fazer sexo?", questiona o vereador, que vê na homossexualidade uma questão de opção. "O que combato não é a figura humana do gay - é livre-arbítrio. É privilégio que vou combater. Sou contra casamento gay e adoção de crianças por homossexuais, mas é direito deles."

Além de alegar cortar o cabelo com um homossexual, Apolinario afirma que seu maquiador é gay e filho de uma evangélica. "Nunca tive nenhum problema de convivência", sustenta. Para ele, basta que o homossexual se comporte "dentro da normalidade" para que conviva bem. "Se ele se portar dentro de uma normalidade, não vai ter problema com ninguém. Claro, sempre vão ter malucos que vão ser contra. Louco sempre tem, sempre existiu, desde quando caçavam religiosos."

O vereador acrescentou que considera ocupar a mesma trincheira dos homossexuais caso a luta seja exclusivamente por direitos. "Querem direitos ou privilégios? Se quiserem direitos, podem me procurar para lutarmos juntos", diz, acrescentando que não vai "organizar nenhuma parada hetero" na data que idealizou.

Dia do Orgulho Hétero cairá perto do Natal
A data será celebrada anualmente no terceiro domingo de dezembro de cada ano, dia que passará a constar no Calendário Oficial da capital paulista. De acordo com o projeto, o Executivo "envidará esforços no sentido de divulgar a data (...), objetivando conscientizar a população e registrar a luta pela consolidação e defesa daqueles que desejam se manter homens e mulheres". A lei deverá ser regulamentada pelo Executivo dentro de 60 dias.

Terra

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