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Mesmo com denúncias, líder diz que governo não está em crise

20 out 2011
12h53
atualizado às 13h12

Laryssa Borges
Direto de Brasília

Ainda que o ministro do Esporte, Orlando Silva, seja suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção para a liberação de recursos públicos para organizações não-governamentais (ONGs), o líder do governo na Câmara dos Deputados, Candido Vaccarezza (PT-SP), afirmou nesta quinta-feira que o governo não enfrenta uma crise política.

Para o parlamentar, tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o governo petista são bem avaliados pelas pesquisas de opinião. Em pouco mais de oito meses, no entanto, o governo federal já acumula cinco baixas nos cargos de primeiro escalão da administração pública. Foram exonerados os chefes nas pastas da Casa Civil, Transportes, Turismo, Agricultura e Defesa.

"Não vamos confundir demissão de ministro com crise de governo. Avalio que não teve nenhuma crise. A presidente e o governo estão sendo bem avaliados pelas pesquisas. Não existe crise", disse o parlamentar. Ele evitou se posicionar sobre a possibilidade de afastamento de Orlando Silva e afirmou que a organização da Copa do Mundo não será afetada por conta das acusações. "Na condição de líder não posso me posicionar sobre a saída ou escolha de ministro. Quem decide isso é a presidente. Em todo caso, a Copa não será prejudicada. O Brasil fará a melhor Copa que já vimos", declarou.

As acusações contra Orlando Silva
Reportagem da revista Veja de outubro afirmou que o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), lideraria um esquema de corrupção na pasta que pode ter desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos. Segundo o delator, o policial militar e militante do partido João Dias Ferreira, organizações não-governamentais (ONGs) recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Orlando teria recebido, dentro da garagem do ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes dos desvios que envolveriam o programa Segundo Tempo - iniciativa de promoção de práticas esportivas voltada a jovens expostos a riscos sociais.

João Dias Ferreira foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar dos desvios. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte.

O ministro nega as acusações e afirmou não haver provas contra ele, atribuindo as denúncias a um processo que corre na Justiça. Segundo ele, o ministério exige judicialmente a devolução do dinheiro repassado aos convênios firmados com Ferreira. Ainda conforme Orlando, os convênios vigentes vão expirar em 2012 e não serão renovados.

Fonte: Terra
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