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Mensalão: Arruda e aliados monitoravam deputados, diz PF

25 ago 2010
07h02

O relatório final da investigação da Polícia Federal (PF) sobre o esquema de corrupção no governo do Distrito Federal, conhecido como "mensalão do DEM", aponta que o ex-governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) e seus aliados produziam dossiês para monitorar deputados distritais. Segundo a PF, o esquema estaria centralizado em cinco pessoas: José Geraldo Maciel, Omézio Pontes, Domingos Lamoglia e Durval Barbosa - delator do mensalão -, além do próprio Arruda. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

A PF apreendeu relatórios feitos por Omézio, que seria uma espécie de assessor de comunicação de Arruda. Em um desses relatos, Omézio comenta a atuação que deputados distritais aliados estavam tendo em relação ao então governador. Entre os distritais citados está Rogério Ulysses, expulso do PSB por suposta ligação com o mensalão do DEM. "Estamos rotineiramente frequentando o seu gabinete (de Ulysses), articulando com seu pessoal, na figura de seu chefe de gabinete Cristiomar. Eles desenvolveram um jornal, que em momento algum citou a figura política do governador Arruda. Não obstante esta negligência, isto já está administrado", diz um dos relatórios de Omézio, que ainda cita uma suposta "contribuição". "Acreditamos que tão logo recebam a contribuição, nos será aberto com mais facilidade o espaço para acompanhamento da agenda do deputado", diz o texto.

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O ex-governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Fonte: Redação Terra
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