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Marina: votação de Código Florestal aumentou desmatamento

20 mai 2011
17h00
atualizado às 20h30

A ex-candidata à Presidência da República e ex-senadora Marina Silva (PV) afirmou nesta sexta-feira, em entrevista ao Jornal do Terra, que os movimentos para a aprovação do Código Florestal aumentaram o desmatamento na Amazônia. "A sinalização da aprovação do código fez com que saíssem desmatando a torto e a direito", afirmou, sobre os novos números da degradação da floresta, divulgados na quarta-feira.

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"Com a sinalização dessa lei que visa destruir florestas, já temos descontrole do desmatamento no Mato Grosso, em Rondônia e no Amazonas. A discussão do código não está de acordo com avanços no Brasil nos últimos 20 anos. Agora, vamos voltar à velha agenda de antes da minha gestão, com aumento do desmatamento", disse, acrescentando que ficou orgulhosa que, durante sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente, no governo Lula, o desmatamento foi reduzido no País.

Caso o Código Florestal seja aprovado, a ex-candidata ao Planalto afirmou que fará uma campanha pelo veto. "Será uma situação ruim para a nossa presidente. Ou ela ficará contra a sociedade, ou contra o Congresso", disse. "O melhor é suspender a votação e o governo se debruçar para apresentar uma proposta", afirmou.

O Código Florestal, previsto para ser votado na próxima terça-feira, foi aprovado em uma comissão especial na Câmara em 2010 como substitutivo ao Código Florestal e gerou polêmica entre ambientalistas, ruralistas e políticos. O texto manteve a dispensa de recomposição da Reserva Legal para pequenas propriedades -o governo queria que apenas agricultores familiares ou cooperados fossem beneficiados. Outro impasse foi a permissão de manutenção de plantações e pastos (chamadas de áreas consolidadas) em Áreas de Preservação Permanente (APP). O novo texto de Rebelo admite que propriedades que utilizam topos de morros e encostas - terrenos caracterizados como APPs - para plantio de maçã, café e uva, por exemplo, além de pastoreio extensivo - continuem onde estão localizadas, sem ser consideradas irregulares.

Ela comentou ainda as acusações contra seu marido, Fábio Vaz de Lima, de envolvimento em negócios irregulares com órgãos federais vinculados ao Ministério do Meio Ambiente, feitas pelo relator do código, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "O deputado fez uma acusação leviana, mentirosa contra mim e meu marido. Ele, mais do que ninguém sabia que não era verdade. Meu marido foi funcionário do GTA (Grupo de Trabalho da Amazônia) do ano de 96 a 99, e eu fui ao ministério em 2003, então ele já estava afastado há quatro anos". Segundo ela, o objetivo de Rebelo foi tirar o foco da votação do polêmico código.

Marina afirmou que entregou representação com pedido de abertura de apuração de denúncia contra ela e o marido ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Segundo ela, as acusações feitas contra ela e o marido têm origem em dossiês apócrifos que circularam nos corredores do Congresso quando ela era ministra. "Quem não deve, não teme. Eu não tenho que temer o MP. Pelo contrário, o MP é responsável por defender os interesses da sociedade", disse.

Fonte: Terra
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