Política

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27 de março de 2013 • 13h22 • atualizado às 14h52

Marco Feliciano acusa jornalistas de 'inventarem besteiras'

O pastor ganhou destaque ao ser eleito para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias
Foto: José Cruz / Agência Brasil
 

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) reagiu com agressividade à abordagem de jornalistas na manhã desta quarta-feira. Ao ser questionado sobre a crise que se instaurou na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), a qual ele preside, Feliciano respondeu dizendo que não existe crise nenhuma. “A comissão não (está em crise). Quem estão em crise são vocês (jornalistas), que ficam divulgando besteiras e coisas que não existem", falou. As informações são da rádio CBN.

Quando os jornalistas perguntaram para Feliciano o que ele achou da reação dos líderes dos partidos no Congresso ao pressionar a sua saída da presidência da comissão, ele deixou claro que não iria abandonar o cargo. "O que os líderes podem fazer acerca da minha vida? Eu fui eleito por voto popular, eu fui eleito por voto colegiado e ponto final”, retrucou. Quando questionado se iria continuar ou sair da presidência, o pastor foi enfático mais uma vez. "De jeito nenhum (vou sair). Mas de novo? Que insistência, vocês não tem outro assunto para falar, gente?"

Deputado polêmico
O deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara desde o dia 7 de março de 2013, é um pastor da igreja Assembleia de Deus. Causou polêmica em 2011, quando publicou declarações polêmicas em seu Twitter sobre africanos e homossexuais. "Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids, fome... Etc", escreveu.

O parlamentar, que está em seu primeiro mandato, postou ainda, na época, que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição". Em função das mensagens homofóbicas e racistas, ele é alvo de protestos desde que foi indicado para o cargo na comissão.

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Pastor Marco Feliciano pede senha de cartão para fiel; veja

Feliciano nasceu em 12 de outubro de 1972 em Orlândia, interior de São Paulo. Em seu site, ele se diz "conferencista internacional, pastor, cantor e empresário" e afirma que "teve uma infância humilde e desde muito pequeno precisou trabalhar como vendedor de picolé para ajudar na manutenção da casa". Apesar da origem pobre, ele tem, atualmente, cinco empresas.

Segundo sua assessoria, o deputado se formou em Teologia pela Faculdade de Educação Teológica Lógos (Faetel), em São Paulo, e pela Faculdade de Teologia de Boa Vista (RR) e é doutor em Divinidade/Artes da Teologia pelo International Seminary Hosanna and Bible School, de Pompano Beach, Estados Unidos.

A igreja fundada por Feliciano em Ortolândia tem seis templos. O Ministério Tempo de Avivamento, presidido pelo pastor, engloba instituto tecnológico, rádio, revista, livraria, editora e gravadora. Com 40 anos, Feliciano começou os cultos com 19. Ele já escreveu 18 livros e gravou CDs e DVDs. Quando se elegeu deputado, em 2010, fez 211 mil votos.

Em sua trajetória como pastor, Feliciano chegou a ser denunciado por estelionato pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em 2009. O processo foi remetido ao Supremo Tribuanl Federal (STF) em razão do foro privilegiado. Na ação, o deputado é acusado de obter para si a vantagem ilícita de R$ 13.362,83 simulando um contrato "para induzir a vítima a depositar a quantia supramencionada na conta bancária fornecida".

A defesa do deputado nega a acusação. Segundo o advogado Rafael Novaes, Feliciano foi contratado para fazer uma série de palestras e não pôde comparecer em razão de outros compromissos. Ele teria recebido o dinheiro, mas tentado devolver. Ainda segundo o defensor, os organizadores se recusaram a receber e entraram com a ação na Justiça.

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"Não fico em comissão em que povo foi excluído", diz deputado

Quando tomou posse na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Feliciano disse que se baseia na "posição política" de Martin Luther King, pastor americano que venceu o prêmio Nobel da Paz lutando pelos direitos dos negros. "Ele foi um herói, um mártir. E ele tem algo em comum comigo: ele também era pastor. A diferença é que ele viveu um outro século, de outras diferenças, de outras aspirações", disse o deputado.

Feliciano também é contra o projeto de lei que tramita no Senado que criminaliza a homofobia. Segundo ele, a proposta pode causar "perseguição religiosa".

 

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