Política

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27 de março de 2013 • 14h48 • atualizado às 16h42

Manifestante é preso em sessão da CDH a pedido de Feliciano

Pastor pediu que a Polícia Legislativa retirasse manifestante que o chamou de racista. 'Este senhor vai ter que provar que sou racista'

A pedido de Feliciano, manifestante que o chamou de racista foi preso
Foto: Alexandra Martins / Agência Câmara
  • Luciana Cobucci
    Direto de Brasília
 

Um manifestante foi preso a pedido do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) na tarde desta quarta-feira. 

Protestando contra a permanência de Feliciano à frente da comissão, o antropólogo Marcelo Reges Pereira, 35 anos, gritou que o pastor era racista, em alusão a um comentário feito pelo deputado no Twitter. Feliciano pediu que a Polícia Legislativa prendesse o manifestante, com base no Código Penal. "Este senhor vai ter que provar que sou racista", disse o deputado enquanto os policiais levavam o manifestante.

Para tentar evitar a confusão formada em reuniões anteriores da CDH, a Polícia da Câmara distribuiu 40 senhas - 20 para apoiadores e 20 para críticos de Feliciano - para que interessados pudessem acompanhar a reunião. Um telão foi disponibilizado numa sala ao lado onde acontecia a reunião. 

Entretanto, o barulho impediu o andamento da audiência pública. Feliciano transferiu a reunião para uma sala ao lado, onde foi proibida a entrada de manifestantes de ambos os lados.

A retirada do manifestante causou tumulto. Houve confusão e empurra-empurra na transferência de salas, o que demorou meia hora. A manifestação continuou do lado de fora do plenário.

Na terça-feira, segundo sua assessoria, o pastor havia se reunido com a segurança da Câmara para pedir maior controle ao público que iria assistir à sessão da comissão. O pastor solicitou também que manifestantes que atrapalhassem o andamento da sessão fossem retirados do local.

Após a troca de sala, parte dos manifestantes se dirigiu à porta do gabinete do deputado, onde houve novo tumulto e um segundo manifestante foi preso. Segundo a Polícia Legislativa, o grupo pretendia invadir o gabinete, fato negado pelos manifestantes. Às 16h30, os dois presos prestavam depoimento.

Em nota, o Psol afirma que o deputado Chico Alencar (RJ) conversou com o coordenador da Polícia Legislativa, que esclareceu que o antropólogo não estava preso, e sim "convidado a prestar esclarecimentos". Um assessor jurídico do partido acompanha os depoimentos. "O depoimento de Marcelo Reges será importante para se avaliar a postura autoritária e intolerante de Feliciano, que pretende intimidar seus críticos ao ameaçar processar quem o chamar de racista. Isso implicaria em acionar judicialmente milhares de brasileiro(a)s", afirmou o deputado.

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