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Manifestação na Câmara impede fala de Bolsonaro sobre o golpe

Sessão para lembrar golpe de 1964 foi marcada por confusões e foi encerrada diante de protesto de militantes de esquerda

1 abr 2014
11h53
atualizado às 16h36
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Uma manifestação no plenário da Câmara dos Deputados impediu nesta terça-feira que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) fizesse um discurso em apoio a militares durante sessão solene para lembrar o golpe de 1964. Militantes ligados a partidos de esquerda ficaram de costas para o parlamentar, o que provocou o encerramento de uma sessão tumultuada.

Os manifestantes ocupavam, como convidados, cadeiras destinadas a parlamentares no plenário. O deputado Amir Lando (PMDB-RO), que presidia a sessão, fez um apelo aos militantes, mas entendeu que não poderia continuar a sessão com um gesto desrespeitoso com o orador. O fim da sessão impediu o discurso de pelo menos outros seis parlamentares inscritos.

“É o jogo deles”, chegou a dizer Bolsonaro a Lando, na tentativa de discursar mesmo com a manifestação, mas ficou sem fazer sua defesa à tomada do poder pelos militares.

Antes da manifestação, a sessão já havia sido interrompida em meio a um tumulto provocado por faixas pró-militares expostas no plenário. Bolsonaro produziu uma faixa que parabenizava o golpe de 1964 e Ivone Luzardo, presidente da União Nacional de Esposa de Militares, defendia melhores condições de trabalho para integrantes das Forças Armadas.

Segundo a Câmara dos Deputados, foi permitido ao deputado levar a faixa porque militantes de esquerda também queriam levar cartazes para lembrar vítimas da ditadura e, portanto, não poderia ser privilegiado nenhum dos lados. A manifestante chegou a cair no chão em meio a discussões acaloradas com militantes contrários ao regime militar. “Assassinos, assassinos”, gritavam, em direção aos simpatizantes das Forças Armadas.

Antes mesmo de a sessão começar, deputados já estavam exaltados com restrições para entrar no plenário. Temendo problemas com a sessão solene, a Presidência da Câmara distribuiu senhas para os partidos, de acordo com as bancadas, para levar convidados. A decisão desagradou parlamentares de partidos de esquerda. Enquanto o PP de Bolsonaro recebeu oito senhas, o PCdoB ficou com três e o Psol, com uma.

Diante da reclamação e da baixa procura para comparecer à sessão, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), retirou a triagem. “Achamos que seria o número suficiente. Podia haver exageros, mas as pessoas que queriam comparecer, nós liberamos sem problemas”, disse.

Bolsonaro chama jornalista de analfabeta e idiota
Antes da sessão, ao falar com jornalistas do lado de fora do plenário, Jair Bolsonaro chamou a repórter Manuela Borges, da RedeTV, de "idiota" e "analfabeta" ao ser confrontado com perguntas sobre o golpe de 1964.

O parlamentar sustentava que o mandato de João Goulart havia sido cassado pelo Congresso, e não pelos militares. "Você está censurada!", disse Bolsonaro. A jornalista afirmou que entrará com uma representação contra o parlamentar.

Fonte: Terra
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