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No Senado, Lula elogia Sarney e diz que imprensa 'avacalha' a política

Lula comparou a importância de Sarney durante a Constituinte ao trabalho de Ulysses Guimarães

29 out 2013
13h47
atualizado às 14h53
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou, em discurso no Senado nesta terça-feira, o trabalho do senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência da República durante a elaboração da Constituinte de 1988. Lula - ao dizer que Sarney nunca levantou "um único dedo" para atrapalhar os trabalhos do Congresso Nacional - afirmou em seu pronunciamento que a imprensa "avacalha" a política brasileira.

Opositor a Sarney (esq.) durante a Assembleia Constituinte, Lula (dir.) teceu elogios ao senador durante sessão solene
Opositor a Sarney (esq.) durante a Assembleia Constituinte, Lula (dir.) teceu elogios ao senador durante sessão solene
Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

"Ulysses (Guimarães, presidente da Assembleia Constituinte) certamente coordenou com maestria, numa situação muito difícil, porque o PMDB tinha 23 governadores de Estado e 306 constituintes. Sozinho, podia fazer o que queria e tenho consciência que o senhor (José Sarney) não teve facilidade,e muito menos moleza. E quero colocar sua presença na Presidência no momento da constituição em igualdade de forças com o companheiro Ulysses. Porque em nenhum momento, mesmo quando o senhor era afrontado no Congresso, o senhor não levantou um único dedo para colocar qualquer dificuldade aos trabalhos da Constituinte, e certamente foi o trabalho mais extraordinário que esse Congresso já viveu", disse o ex-presidente, opositor de Sarney na época da elaboração da Carta Magna.

Lula e Sarney receberam nesta terça-feira a medalha Ulysses Guimarães, criada pelo Senado para homenagear pessoas que contribuíram com a Constituição de 1988, que completou 25 anos no início do mês. O petista era deputado constituinte por São Paulo, enquanto o peemedebista assumiu a Presidência do Brasil após a morte de Tancredo Neves.

Afirmando ter sido um deputado constituinte "impetuoso", Lula elogiou a postura de Sarney frente aos "desaforos" da oposição que ele integrava. "Eu quero lhe dizer claramente que o senhor merece minha homenagem por seu comportamento digno como presidente, de permitir que nós disséssemos todos os desaforos que pensávamos que tínhamos o direito de dizer ao senhor e o senhor não se sentiu afrontado por isso. Ao chegar à Presidência da República, as pessoas precisam estar preparadas para saber que não são donos do Brasil, são apenas donos de um mandato com data de chegada e de saída", disse Lula.

Repetindo o discurso que tem adotado desde as manifestações de junho, o petista disse que a negação da política pode levar o País a regimes autoritários. "Na história desse País, se a juventude lesse a biografia do Getúlio Vargas, do Juscelino Kubitscheck e outras biografias, provavelmente as pessoas não iam desprezar a política e muito menos a imprensa ia avacalhar a política como avacalha hoje. Não há nenhum momento da história em nenhum lugar do mundo que a negação da política tenha trazido algo melhor que a política. O que aparece sempre quando se nega a política é um grupo praticando, na verdade, ditadura", afirmou.

Ao discursar antes de Lula, o senador José Sarney exaltou as mudanças sociais promovidas pela promulgação da Constituição de 1988. Em tom bem humorado, destacou que talvez tenha sido a maior vítima da liberdade de expressão.

"Eu talvez tenha sido a grande vítima dessa abertura. Presidente Lula, o senhor sempre disse que foi o mais atacado, mas eu quero entrar nessa disputa", disse Sarney, arrancando gargalhadas da cantora Fafá de Belém, também homenageada no Senado por ser considerada a "Musa das Diretas".

Os ex-presidentes Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, que também receberão a medalha, não conseguiram comparecer à sessão. FHC não viajou a Brasília devido a um quadro de diverticulite, enquanto o motivo da ausência de Collor ainda não foi divulgado.

Também receberam a medalha outros participantes da Constituinte, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o vice-presidente Michel Temer.

Fonte: Terra
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