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Lula: "é preciso curso de inteligência para dirigir um país"

18 mai 2010
16h03
atualizado às 17h44
Lúcia Müzell
Direto de Madri

No encerramento de seu discurso em Madri, nesta terça-feira, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, alfinetou os dirigentes dos países em crise econômica. "Mais que curso de doutor, as pessoas precisam fazer curso de inteligência e de sensibilidade para poderem dirigir seus países", disse ele.

Lula conversa com a presidente argentina Cristina Fernandez Kirchner (esq.) antes da foto oficial do evento
Lula conversa com a presidente argentina Cristina Fernandez Kirchner (esq.) antes da foto oficial do evento
Foto: Reuters

Lula recebeu hoje, na capital espanhola, o prêmio Nova Economia Fórum 2010 - Desenvolvimento Econômico e Coesão Social. A escolha de Lula, segundo a vice-presidente de governo da Espanha, Maria Tereza de la Vega, é um reconhecimento do exemplo político, trabalhista e pessoal de Lula. Para ela, se alguém representa o compromisso com a construção de um futuro justo, essa pessoa é o presidente brasileiro.

Lula destacou, durante seu pronunciamento, que na crise econômica de 2008 a economia brasileira foi sustentada pela parcela mais pobre da população. Segundo ele, foram as pessoas de menor renda que atenderam ao pedido feito em cadeia de rádio e televisão para não diminuirem o consumo e, com isso, ajudarem as empresas a se manter em atividade e gerar empregos.

O brasileiro citou, também, os avanços econômicos da Bolívia. Segundo Lula, pela primeira vez desde 1940 o país andino tem reservas de capital estrangeiro e superávit. Antes, o presidente havia dito que a América do Sul passa por um processo irreversível de mudança em seu modelo de gestão socio-econômica.

O pronunciamento de Lula ganhou o tom de um discurso de despedida. Ele exaltou as realizações do seu governo e disse que "certamente voltarei muitas vezes à Espanha no futuro. Não sei se terei mais tempo para voltar aqui no exercício da Presidência da República, por isso trago hoje o meu muito obrigado".

O presidente se disse comovido com o prêmio e preocupado em não deixar que seu ego "cresça" com o destaque e os elogios feitos a ele nos discursos do dia. "É muito prazeroso terminar oito anos de governo em uma situação extremamente importante para o meu País", afirmou. "Eu saio no dia 1º de janeiro com a consciência tranquila de que nunca os empresários brasileiros e estrangeiros ganharam tanto dinheiro quanto ganharam no meu governo", disse Lula, lembrando também das conquistas salariais dos trabalhadores e a diminuição miséria no País.

A premiação foi entregue após a reunião de cúpula entre os países da União Europeia (presidida pela Espanha) e os países da América do Sul e do Caribe. Neste encontro, o bloco europeu retomou as negociações para um tratado comercial com o Mercosul.

Após o anúncio de Hillary, Lula prefere manter silêncio
Questionado pela imprensa após o discurso em Madri, o presidente Lula preferiu não comentar nada sobre o futuro das negociações com o Irã, depois que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, anunciou que entraria com um projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU pedindo sanções ao país islâmico. Sorridente até o momento, Lula ficou sério e se contentou a demonstrar cautela em relação às notícias. "Eu quero deixar maturar as notícias que saíram".

Mais cedo, em sua fala no plenário, exaltou o trabalho do Brasil nas negociações com o Irã, defendendo o diálogo. "No Brasil, a gente diz que é conversando que a gente se entende. Por isso eu fui até o Irã, porque acredito que é conversando que a gente se entende."

Fonte: Redação Terra
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