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Lula diz que País não pode ficar a serviço de uma perereca

29 jul 2010
14h55
atualizado às 18h47
Guilherme Mergen
Direto de Porto Alegre

Ao criticar novamente o que chama de "poderosa máquina da fiscalização" das obras públicas durante cerimônia de assinatura de contratos de duplicações de rodovias nesta quinta-feira, em Porto Alegre (RS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil "não pode ficar a serviço de uma perereca". A declaração foi dada em alusão ao episódio do túnel da BR-101, em Osório, no interior do Estado. A obra ficou paralisada por seis meses para órgãos ambientais avaliarem o impacto da infraestrutura sobre a espécie de anfíbio encontrado no local, segundo o governo.

"Nós precisamos poder fazer mais coisas em menos tempo. Não podemos parar tudo por causa de uma perereca, como aconteceu com o túnel em Osório. O País não pode ficar a serviço de uma perereca", disse, provocando risos da plateia na Usina do Gasômetro, ponto turístico da capital gaúcha onde aconteceu o evento. Ao final da cerimônia, ele brincou que retornaria ao Estado no final do ano para trafegar no túnel concluído. "Nem que eu tiver que me atarracar com aquela perereca, vou andar nesse túnel. E peça para a perereca sair de perto, porque eu vou vir meio nervoso."

Em discurso improvisado de cerca de 40 minutos, o presidente se comprometeu a auxiliar em uma reforma política quando deixar o Planalto, no final deste ano. "Quando não for mais presidente deste País, vou ser um leão para que o meu partido assuma a responsabilidade de, junto com outros, fazer uma reforma política. Nós temos que priorizar isso. Temos uma poderosa máquina de fiscalização", disse.

Na cerimônia em Porto Alegre, Lula também defendeu que a política precisa ser realizada com menos empecilhos no Brasil. "Eu não sei quem foi que inventou o curso de cientista político. Foi para criar um pouco de caso, porque a política é a arte do óbvio. Não tem nada mais fácil para você governar do que você apenas fazer o óbvio Aquilo que o povo precisa, sem inventar. É fazer apenas o óbvio: estrada, ponte, escola", afirmou.

Tom de despedida
Apesar de não ser sua última visita ao Rio Grande do Sul como presidente ¿ele disse que retornará até o fim do ano -, Lula deu um tom de despedida ao seu discurso. Repetiu por vários momentos que "já esta em um período de prestar contas". "Estou em uma fase em que eu já tenho que prestar contas, ou seja, eu tenho menos tempo pela frente do que eu já tive de mandato. Então, o que eu fiz, fiz. O que eu não fiz, não fiz, e vai ficar para outros fazerem", afirmou.

Em outro momento, novamente quando falava do fim de seu governo, ironizou a imprensa e desafiou os jornalistas a fazerem um levantamento de qual governo mais investiu no Rio Grande do Sul nos últimos 25 anos . "Estou deixando o mandato. Gostaria que a imprensa, que tanto gosta de mim, tanto fala bem de mim, pudesse me ajudar, a fazer uma pesquisa de qual governo desde Figueiredo trouxeram a quantidade de dinheiro do Orçamento Geral da União, ou a quantidade de financiamentos que em oito anos nós trouxemos para este estado do Rio Grande do Sul".

Ausência estadual
Cinco ministros acompanharam a comitiva do Planalto - Orlando Silva, do Esporte, Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, Marcio Fortes, das Cidades, Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, e Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência. Nenhum representante do governo estadual participou do evento.

Além da assinatura de ordens de serviço, Lula deu o pontapé inicial das obras de reformulação do estádio Beira-Rio para a Copa do Mundo de 2014. Da capital gaúcha, o presidente seguiu para Santa Cruz de helicóptero, onde participa de evento de programas de agricultura familiar. À noite, ele retorna a Porto Alegre para participar de comício com a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e o candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo seu partido, o ex-ministro Tarso Genro.

Lula participou da assinaturas de contratos no Rio Grande do Sul
Lula participou da assinaturas de contratos no Rio Grande do Sul
Foto: Neco Varella/Freelancer / Especial para Terra
Fonte: Redação Terra

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