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Líder do PSDB: ex-ministro viveu 'calvário desnecessário'

26 out 2011
20h27
atualizado às 23h17

O líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), não se mostrou satisfeito com a demissão de Orlando Silva como Ministro do Esporte. Para ele, se não houver investigação sobre as denúncias de favorecimentos de aliados políticos do ministro do Esporte, a queda não terá efeito profundo. O tucano avaliou ainda que a presidente Dilma Rousseff demorou para afastar o titular da pasta, assim como agiu com os demitidos anteriores. "Ele cumpriu o roteiro estabelecido pelo governo em casos de queda de ministros: viveu um calvário desnecessário", disse Dias. Ainda para o oposicionista, a presidenta mostrou-se "insegura" para tomar uma decisão.

Orlando Silva pede demissão do Ministério do Esporte após denúncias de corrupção
Orlando Silva pede demissão do Ministério do Esporte após denúncias de corrupção
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

A demissão já era esperada no Senado Federal. Governistas e oposicionistas previam que acontecesse com Silva o mesmo que ocorreu com outros quatro ministros que deixaram o governo após denúncias de corrupção. Em reportagem publicada pela revista Veja, o policial militar João Dias Ferreira acusou o ministro e assessores de cargos de alto escalão do Ministério do Esporte de participarem de um esquema de desvio de recursos do Programa Segundo Tempo.

Para o líder do bloco de apoio ao governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), a presidente foi coerente e aguardou as explicações do ministro antes de tomar qualquer decisão. "Acho que ocorreu o mesmo que em outros momentos: as denúncias surgem, as pessoas conseguem se defender a contento, mas surgem novas questões e politicamente fica inviável", afirmou.

Líder de um partido que se considera "neutro" em relação ao governo, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) afirmou nesta quarta-feira que já esperava pela saída de Orlando Silva do Ministério do Esporte. Na opinião dela, o ministro não podia permanecer no cargo e a decisão de afastá-lo foi correta. "O caminho é esse. Diante de denúncias graves não dá para o cidadão ficar no cargo. Ele pode até provar sua inocência, mas precisa se afastar do cargo. Nós devemos isso à sociedade", disse.

A decisão de deixar o cargo foi tomada durante reunião entre Orlando Silva, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e lideranças do PCdoB, realizada no Palácio do Planalto na manhã desta quarta-feira. A exoneração será publicada amanhã no Diário Oficial. Quem assume interinamente a pasta é o atual secretário-executivo, Waldemar Souza. Dilma deverá tomar a decisão do substituto nos próximos dias.

Orlando Silva pede demissão do Ministério do Esporte
Orlando Silva (PCdoB) pediu demissão do Ministério do Esporte no dia 26 de outubro, após reunião com a presidente Dilma Rousseff e o presidente do seu partido, Renato Rabelo. Silva não resistiu à pressão para que deixasse o cargo após denúncias de fraudes em contratos entre a pasta e organizações não-governamentais (ONGs). Sexto ministro de Dilma a cair ainda no primeiro ano de governo, Silva foi apontado por uma reportagem da revista Veja de outubro como o líder de um esquema de corrupção que pode ter desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos. Na falta de um nome definitivo indicado pela presidente, o secretário-executivo da pasta, Waldemar de Souza, também do PCdoB, assumiu a chefia no ministério interinamente.

Segundo o delator do suposto esquema, o policial militar e militante do PCdoB João Dias Ferreira, ONGs recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Orlando teria recebido, dentro da garagem do ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes dos desvios que envolveriam o programa Segundo Tempo - iniciativa de promoção de práticas esportivas voltada a jovens expostos a riscos sociais.

Ferreira foi um dos cinco presos em 2010 durante a Operação Shaolin, que apontou diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades. Por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, ele firmou dois convênios com a pasta, em 2005 e 2006. Antes de pedir demissão, Silva exigia a Ferreira a devolução do dinheiro repassado. No dia 17 de outubro, o então ministro protocolou um pedido para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigasse as denúncias.

No dia 19 de outubro, o jornal O Estado de S.Paulo publicou reportagem que afirmava que a pasta prorrogara até agosto de 2012 um convênio de R$ 911 mil do programa Segundo Tempo com uma entidade de fachada que, apesar de ter assinado o contrato em dezembro de 2009, jamais executou o projeto no entorno do Distrito Federal. O jornal ainda acusou a mulher de Orlando Silva, Ana Petta, de ter recebido recursos públicos de uma ONG de filiados do PCdoB. Petta teria utilizado sua empresa de produção cultural, a Hermana, para assinar contrato com ONG Via BR, que havia recebido R$ 278,9 mil em novembro de 2010.

No dia 24, Ferreira prestou depoimento à PF, no qual afirmou que pelo menos 20 ONGs estariam dispostas a delatar o suposto esquema. Ele entregou 13 áudios, um celular e mídias que comprovariam os desvios. Segundo o PM, no entanto, nenhum continha a voz de Silva, assim como nenhuma das provas o atingia diretamente. No dia seguinte, o Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou a abertura de inquérito para investigar o caso. De acordo com o advogado de Silva, foi o próprio ex-ministro quem pediu a investigação, mas ele teve que abrir mão do cargo após o governo avaliar que não poderia mantê-lo sendo investigado pela mais alta corte do País.

Agência Brasil Agência Brasil
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