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Líder do governo crê em CPI sobre elo de políticos com Cachoeira

3 abr 2012
18h14
atualizado às 19h03

O líder do governo na Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou nesta terça-feira que deverá ser aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as relações entre políticos e o contraventor Carlos Cachoeira. "Já há assinaturas suficientes, e agora a Mesa tem de analisar se há fato determinado. Mas tudo indica que deverá haver a instalação de CPI aqui", disse.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse que está "estupefato" com as denúncias de tráfico de influência envolvendo o senador Demóstenes Torres (GO) e Cachoeira, preso pela Polícia Federal sob acusação de explorar jogos ilegais em Goiás. Maia disse já ter pedido dados ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para decidir a melhor providência a tomar. Ele não descartou a abertura de investigações pelo Conselho de Ética e pela Corregedoria da Câmara nem a instalação de uma CPI. Demóstenes pediu hoje a desfiliação do DEM para evitar um processo de expulsão.

"Não parece razoável que o senador tenha se envolvido da maneira como se envolveu com uma figura carimbada da contravenção", disse Maia. O presidente da Câmara se reuniu com deputados do Psol e representantes da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, que pediram à Corregedoria da Câmara que investigue os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO), que também aparecem em gravações com Cachoeira. O Psol deverá representar contra Sandes Júnior e Leréia no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

"Vamos olhar as investigações para termos condições de definir o que será necessário, se uma CPI, Conselho de Ética ou outros", disse Maia, enfatizando que a Corregedoria "pode e deve" ser o primeiro caminho para a Câmara analisar as possíveis irregularidades.

Demóstenes e Carlinhos Cachoeira
Em 6 de março de 2012, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) subiu à tribuna para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas. Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

O jornal O Globo noticiou, em 23 de março, gravações da PF que flagraram Demóstenes pedindo para Cachoeira lhe pagar R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo e vazando informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes. Em 27 de março, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado para "acompanhar a evolução dos fatos". No dia seguinte, o Psol entrou com representação contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovski autorizou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes, solicitando ainda um levantamento sobre as emendas e os projetos relatados por ele para saber se Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, foi beneficiado.

Nas gravações, Demóstenes também aparece acertando um suposto lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso em 2009. Em outra conversa, Cachoeira pede ajuda no processo de um delegado e três policiais de Anápolis (GO) acusados de tortura e extorsão. Os dois ainda conversaram sobre um "negócio" milionário na Infraero. Na ocasião, Demóstenes teria se valido da relatoria da CPI do Apagão Aéreo para levantar informações e sondar contratos de informática na estatal.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido decidiu abrir um processo que pode resultar na expulsão de Demóstenes. Conforme a nota, "houve desvio reiterado do programa partidário, principalmente no que diz respeito à ética".

Fonte: Terra
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