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Lamarca apelidou Dilma de Mônica durante a ditadura

2 nov 2011
10h28
atualizado às 12h06
Daniel Favero

A personalidade forte de Dilma é uma característica que sempre chamou atenção, desde os tempos em que ela participou da luta armada contra a ditadura nos anos 60. Naquela época, a aceitação de mulheres em papéis de liderança era difícil, o que rendeu à guerrilheira o apelido de Mônica. A alcunha provocativa foi dada pelo capitão Carlos Lamarca,um dos principais líderes da resistência à ditadura, que foi morto há 40 anos numa ação do Exército. Lamarca estaria incomodado com o destaque da militante dentro da organização, segundo afirma Tom Cardoso, autor do livro O Cofre do Dr. Rui, lançado neste mês pela editora Civilização Brasileira.

Ficha criminal de Dilma, aos 22 anos de idade, após ser capturada pelos órgãos de repressão da ditadura
Ficha criminal de Dilma, aos 22 anos de idade, após ser capturada pelos órgãos de repressão da ditadura
Foto: Reprodução / Terra

Carlos Lamarca morreu há 40 anos; saiba mais

"Por ser casada com um dos chefes da VAR-Palmares ela começa a ganhar destaque na organização muito pelas qualidades que ela tem hoje: gerentona, organizada, firme... então, com isso ela e o Lamarca chegaram a ter alguns problemas, já que o Lamarca era machista, capitão do Exército, e achava estranho uma mulher ser tão mandona. Logo ele deu o apelido de Mônica para a Dilma por causa da personagem do Maurício de Souza que estava começando a fazer sucesso na época, por Dilma ser dentuça", conta o autor, que para escrever a obra entrevistou Carlos Araújo, ex-marido de Dilma e um dos chefes da organização.

O livro conta a história do roubo de um cofre recheado com US$ 2,5 milhões desviados de obras realizadas pelo ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, dinheiro que hoje equivaleria a aproximadamente R$ 25 milhões. Após a morte do político, o dinheiro foi guardado pela sua amante, a socialite Ana Capriglione, a quem Adhemar chamava de Dr. Rui para não levantar suspeitas.

Dr. Rui era uma mulher que circulava com facilidade pelo poder e chegou a nomear para uma pasta do governo paulista o padre que abençoou seu relacionamento com o amante. "A Ana tinha uma gerencia muito grande no governo do Adhemar. Ele fazia certas vontades da Ana e deixava ela nomear alguns secretário", conta o autor. "Adhemar era um populista e a Ana uma socialite muito chique que não combinavam em nada, mas se amavam", completa.

Personagem esquecido
Apesar da participação de Dilma, para o autor, o principal personagem desse episódio histórico é o estudante Gustavo Schiller. Ele vivia na mansão onde estava guardado o dinheiro e ao saber da existência do cofre passa a informação para os guerrilheiros mesmo sabendo que isso colocaria a vida de todos em risco.

Após o roubo, ele foi preso, torturado e perseguido, tanto pela ditadura, quanto pela esquerda. Desiludido com o que foi feito com o dinheiro e com os rumos que os militantes de esquerda tomaram após a redemocratização do País, cometeu suicídio ao voltar do exílio.

"Era um cara muito idealista que queria que o dinheiro que ele ajudou a conseguir fosse bem aproveitado com a organização da guerrilha, mas ele vê que as pessoas começam a se dispensar, então ele acaba sofrendo a vida inteira por causa desse cofre e se mata quando ele volta do exílio, logo quando o Sarney toma o poder, por se desiludir com os que eram de esquerda que acabam entrando no governo", conta o autor.

Mutantes
O autor diz que durante a investigação para o livro descobriu várias outras histórias interessantes, entre elas a da ligação dos irmãos da banda Os Mutantes, quando crianças, com Adhemar. O homem de confiança do ex-governador era César Batista, pai dos músicos.

"Eu soube que os meninos dos Mutantes chegavam a carregar malas de dinheiro para o tio Adhemar para alimentar esses cofres. Ele falava: 'olha molecada, vamos carregar essas malas para não levantar muita suspeita', isso quem me contou foi o Cláudio, que é irmão mais velho. Eles adoravam o Adhemar, que era dono da Lacta, e dava ovos de chocolate e Diamantes Negros para os meninos. O Serginho Dias, guitarrista dos Mutantes, dizia que a primeira vez que ele andou de conversível foi no carro da Ana (Dr. Rui)", conta.

O livro:
Nome:
O Cofre do Dr. Rui
Editora: Civilização Brasileira
Autor: Tom Cardoso
Páginas: 176
Valor: R$ 29,90

Fonte: Terra

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