3 eventos ao vivo

Réu e candidato, João Paulo Cunha silencia às vésperas do mensalão

30 jul 2012
17h50
atualizado às 17h58

Ricardo Santos
Direto de São Paulo

O deputado federal João Paulo Cunha ( PT -SP), único dos 38 réus do mensalão a concorrer às eleições deste ano, tem evitado fazer comentários sobre o processo que pode condená-lo à prisão por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato. Embora mantenha agendas de campanha nos bairros de Osasco (Grande SP), onde busca a vitória na disputa à prefeitura, Cunha não as divulga à imprensa, bem como evita locais onde sabe que poderá ser submetido a perguntas de jornalistas.

Conheça quem são os 38 réus do mensalão
Saiba quem são os ministros e como costumam votar

Na manhã desta segunda-feira, ele faltou ao encontro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os candidatos coligados ao PT em cidades com mais de 150 mil eleitores . Sem entrar em detalhes, sua assessoria informou que ele esteve em "outros compromissos", acrescentando que o político já havia conversado com Lula e remarcado a sessão de fotos.

Durante o lançamento de sua candidatura, em 23 de junho deste ano, Cunha pediu votos ao povo de Osasco destacando a eleição como uma "chance de recuperar minha honra". "Estou tranquilo e seguro porque tenho certeza que vou ser absolvido. Tenho 30 anos de mandato e essa é a única coisa que eles (oposição) tem para falar. Mas eles não vão falar, porque eu vou falar sobre isso (o mensalão) antes. Vou dizer o que aconteceu em 2005", afirmou ele à época.

Essa disposição, no entanto, parece ter mudado. Segundo a assessoria do candidato, a orientação dada pelo advogado de Cunha é não comentar sobre o mensalão "em nenhuma circunstância, sob nenhum viés". Por isso, às vésperas do julgamento, o candidato tem recusado todas as entrevistas.

De acordo com a acusação da Procuradoria Geral da República, João Paulo Cunha, deputado federal pelo PT em terceiro mandato à época das acusações, teria recebido R$ 50 mil para contratar uma das agências de Marcos Valério quando presidia a Câmara dos Deputados. O político confirma que o dinheiro foi sacado por sua mulher em uma agência do Banco Rural em Brasília, mas negou saber da origem dos recursos, alegando que eles seriam para custear uma pesquisa eleitoral. Além disso, Cunha negou ter favorecido a empresa de Valério, afirmando que não tinha qualquer controle sobre a licitação.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson ( PTB ) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP , morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B; Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB . Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

Fonte: Terra

compartilhe

publicidade
publicidade