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Mensalão: 'melhor agora que na eleição de 2014', diz Jefferson

26 jul 2012
10h21
atualizado em 27/7/2012 às 08h54
Gustavo Gantois
Direto de Brasília

O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) afirmou preferir que o julgamento do suposto esquema do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ocorra em plena campanha para as eleições municipais do que em 2014, quando estará em jogo a Presidência da República. "É claro que tem sempre um efeito político. Mas é melhor que seja agora do que na eleição de governador, deputado federal, estadual, senador. Exaure-se agora", disse o delator dos pagamentos a políticos da base aliada para que apoiassem o governo.

Roberto Jefferson, atual presidente do PTB, afirma que julgamento do mensalão vai afetar partidos políticos
Roberto Jefferson, atual presidente do PTB, afirma que julgamento do mensalão vai afetar partidos políticos
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Saiba quem são os 38 réus do mensalão

Ele acredita que seu julgamento e dos outros 37 réus do processo, que começa no próximo dia 2 no STF, vai atingir o Partido dos Trabalhadores (PT). "A exposição pública de imagem afeta. Claro que afeta. O José Dirceu, primeiro a ser julgado, primeiro da denúncia, vai afetar o PT. O segundo, o José Genoino, vai afetar o PT", disse o atual presidente do PTB.

"São os ícones do partido, os homens que construíram o partido que chegou ao poder", justifica o ex-deputado que, em 2005, denunciou o suposto esquema de pagamento de mesada de R$ 30 mil por parte do PT para que os congressistas aliados apoiassem o governo. Mas reconhece que a legenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não será a única atingida pelo julgamento: "Roberto Jefferson? Vai afetar o PTB".

Roberto Jefferson classificou ainda como "absurda decisão política do Ministério Público" seu indiciamento por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A defesa do delator do mensalão deverá recorrer à mesma artimanha utilizada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello em seu julgamento no Supremo, em 1994. O advogado do ex-deputado dirá que a acusação não conseguiu provar a existência do "ato de ofício", quando há materialidade de que alguém tirou proveito de uma suposta corrupção.

O ex-deputado demonstrou convicção de seu julgamento. "Eu não serei preso. Não serei. Não sei os outros réus. Minha convicção é com base no meu coração. Não serei preso".

Saúde
O presidente nacional do PTB será operado às vésperas do julgamento. Ele foi diagnosticado com um tumor no pâncreas. Segundo a assessoria de imprensa do PTB, o tumor é benigno e está em fase inicial. Inicialmente, o partido havia informado que Jefferson havia sido diagnosticado com câncer. O político será internado no dia 27 no Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio de Janeiro, e no dia seguinte passará pela cirurgia.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, o ministro Joaquim Barbosa apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B; Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

Fonte: Terra

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