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Jacinto Lamas é condenado a 5 anos de prisão por lavagem

21 nov 2012
17h50
atualizado às 18h09
Gustavo Gantois
Direto de Brasília

O ex-tesoureiro do extinto PL (atual PR) Jacinto Lamas foi condenado nesta quarta-feira a 5 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Lamas ainda terá de pagar multa de 200 dias-multa no valor de cinco salários mínimos à época, que totalizam aproximadamente R$ 260 mil. O ex-tesoureiro já havia sido absolvido do crime de formação de quadrilha.

Ministros definiram a pena de Jacinto Lamas na sessão desta quarta-feira no STF
Ministros definiram a pena de Jacinto Lamas na sessão desta quarta-feira no STF
Foto: Gervásio Baptista/STF / Divulgação

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Segundo entendimento dos ministros do Supremo, Jacinto Lamas sacou R$ 1 milhão do Banco Rural e repassou o dinheiro a parlamentares do PL, entre eles, o então presidente do partido e deputado federal Valdemar Costa Neto, também condenado no julgamento do mensalão.

Lamas foi condenado a 5 anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro. Na definição da pena para o delito de corrupção passiva, prevaleceu a posição defendida pelo revisor Ricardo Lewandowski, de 1 ano e 3 meses de prisão. Dessa forma, a pena foi declarada prescrita porque ficou abaixo dos dois anos.

O ministro Celso de Mello foi um dos votos contrários. O decano da Corte, que propôs uma pena de 2 anos e 2 meses, condenou a tentativa de apresentar Jacinto Lamas apenas como um empregado do partido que estava a mando de Valdemar Costa Neto.

"Ele não era um mero assessor, era tesoureiro do PL. E nessa condição recebeu recursos milionários em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, entregando elevadíssimos montantes ao deputado Valdemar Costa Neto, o que mostra o grau de conluio. É um fato muito grave, absolutamente desabonador do comportamento desse réu em particular. Jacinto Lamas contribuiu para que Costa Neto empregasse seu mandato parlamentar para obter somas milionárias em espécie, degradando a agremiação partidária a que pertence, possibilitando que o PL se transformasse em legenda de aluguel", afirmou Celso de Mello.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e o irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão. Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

Fonte: Terra
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