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Ex-deputado condenado no mensalão viaja para o Caribe

31 out 2012
11h03
atualizado às 21h38

Condenado por corrupção pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão, o ex-deputado federal Romeu Queiroz (PTB-MG) está de férias em uma praia do Caribe. Queiroz, que vive em Belo Horizonte (MG), embarcou na semana passada, mesmo período em que a Procuradoria-Geral da República pedia a retenção dos passaportes dos réus. Ele viajou com a mulher para celebrar 40 anos de aniversario de casamento, informou a sogra do ex-deputado, Ilda Naves.

O ministro Joaquim Barbosa se destacou na mais alta Corte do País por seu temperamento forte e opiniões convergentes ao clamor popular. Eleito presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Barbosa se tornou o primeiro negro a ocupar o cargo. Veja a trajetória
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Foto: Agência Brasil

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Segundo ela, Queiroz ficou "muito abalado" após acompanhar pela TV as primeiras sentenças dos juízes do STF - o cálculo das penas do também mineiro Marcos Valério soma mais de 40 anos, assim como do ex-ministro da Casa Civil e homem forte do governo Lula, José Dirceu. Pode ainda haver ajustes. "Ele (Queiroz) ficou muito triste, então resolveu sair um pouco, ficar longe de tudo isso", disse. E saiu em defesa do genro: "Ele nem pegou naquele dinheiro".

A viagem foi um presente que os filhos deram, afirmou. Queiroz foi condenado por corrupção passiva em 26 de setembro. O ex-deputado federal pelo PTB recebeu R$ 350 mil do chamado valerioduto. O advogado de Queiroz, Ronaldo Garcia Dias, disse que não sabia da viagem do cliente, mas garantiu que ele estará de volta antes da retomada do cálculo da dosimetria pelo Supremo, o que ocorrerá na semana que vem. "Deve ter sido uma dessas viagens de um fim de semana, dez dias, não vai passar disso. Quando o STF voltar, na semana que vem, eu garanto a você que ele estará aqui."

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e o irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão. Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

Fonte: Agência Estado Agência Estado
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