atualizado às 09h41

Dirceu tem se reunido com Lula para falar do mensalão, diz jornal

 

Considerado pela acusação como o chefe do esquema do mensalão, o ex-ministro José Dirceu se afastou da consultoria a empresas para acompanhar o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem se reunido semanalmente com Lula na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, ou no Instituto Lula, em São Paulo. Em pauta, o julgamento do escândalo no Supremo Tribunal Federal e a situação eleitoral deste ano, principalmente nas cidades escolhidas como prioritárias pelo PT: São Paulo, Recife e Belo Horizonte. As informações foram publicadas no jornal O Globo.

Confira o placar do julgamento voto a voto
Saiba o que ocorreu no julgamento dia a dia
Conheça quem são os 38 réus do mensalão
Saiba quem são os ministros e como costumam votar
Defensores de Cachoeira e Carolina Dieckmann atuam no mensalão
De lanche gigante a calcinha antifurto: veja o que o mensalão inspirou
Mensalãopédia: conheça os personagens citados no julgamento

Dirceu tem passado a maior parte do tempo em sua casa em Vinhedo, no interior do Estado, desde o início do julgamento, mas retorna semanalmente à capital. Mesmo tendo se recolhido, tem conversado e encontrado pessoas famosas, como o ex-presidente da Vale Roger Agnelli, o escritor Fernando Morais, o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile e o cineasta Luiz Carlos Barreto. Quem apareceu também em Vinhedo foi o embaixador venezuelano no Brasil, Maxilimien Arveláiz. Além disso, o ex-ministro tem conversado por telefone com o escritor Paulo Coelho. Publicamente, Francisco Rocha, coordenador da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual Dirceu faz parte, disse que o político não está interessado em conversar sobre o mensalão e defende que Dirceu aguarde o fim do julgamento para traçar qualquer plano na política, não devendo disputar a presidência do partido no ano que vem.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e o irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão. Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

Terra