
A ministra Cármen Lúcia votou na noite desta segunda-feira pela condenação do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e dois peculatos. A magistrada acompanhou o voto do relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, e também condenou o empresário Marcos Valério e seus sócios, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, nos crimes de peculato e corrupção ativa. O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato também acabou culpado pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ela absolveu, assim como os outros colegas, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica da Presidência da República Luiz Gushiken, denunciado por peculato.
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Além do relator, Cármen Lúcia também acompanhou as decisões dos colegas Luiz Fux e Rosa Weber em leitura rápida do seu voto. Ela destacou que a vinculação de Cunha, ex-presidente da Câmara à época do escândalo, e de Valério reforçam a prova de irregularidade. Ela lembrou que a empresa executou a campanha de João Paulo Cunha à presidência da Casa e se candidatou como competidora da licitação na Câmara.
Além disso, a ministra ressaltou que Valério e Cunha - que atualmente é candidato a prefeito de Osasco (SP) - se reuniram às vésperas da disputa e, dias depois, a mulher do deputado foi ao Banco Rural retirar R$ 50 mil da empresa de Valério, considerado o principal operador do mensalão. "A singeleza do ato é melancólico para nós, brasileiros. É de uma certa impunidade. De que pode comparecer que não vai acontecer nada. Mande-se um parente que não terá problema. Foi às claras para esconder", lamentou.
Cármen reforçou que as subcontratações da empresa Ideias, Fatos e Textos (IFT), do jornalista Luiz Carlos Pinto, para fazer a assessoria de imprensa durante o mandato de Cunha na Câmara não deveriam ter sido autorizadas. "Pelos valores daquela época, nem se poderia ter um agente público nomeado para lá. O valor de R$ 21 mil era mais que recebia o ministro do Supremo, que era o teto salarial. Ele contratou alguém além do que a legislação permitia", detalhou a ministra.
O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.
No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.
Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.
O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.
Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.
- Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) chegam ao plenário para o décimo quinto dia de julgamento do mensalão Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
- Os ministros Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski chegam ao plenário no quinto dia de votos dos magistrados Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
- A ministra Rosa Weber, integrante mais nova no STF, inicia o seu voto no 15º dia de atividades no julgamento da ação penal 470 Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
- O relator do processo do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, dá um sorriso contido para as câmeras no início das atividades Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
- O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, observado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, abre a sessão desta segunda-feira (27) Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
- O revisor da ação penal 470, Ricardo Lewandowski, conversa com o colega José Antonio Dias Toffoli durante a sessão Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
- Imagem geral do plenário da Corte Suprema no décimo quinto dia de atividades no julgamento do mensalão Foto: Carlos Humberto/SCO/STF / Divulgação
- A ministra do STF Cármen Lúcia, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral, chega ao plenário observada pelo relator Foto: Carlos Humberto/SCO/STF / Divulgação
- Celso de Mello acompanha a retomada do voto dos ministros em plenário Foto: Carlos Humberto/SCO/STF / Divulgação
- Revisor Ricardo Lewandowski durante a 15ª sessão do julgamento do mensalão Foto: Carlos Humberto/STF / Divulgação
- Ministro Luiz Fux proferiu o voto quanto ao 3º item da denúncia após a ministra Rosa Weber Foto: Carlos Humberto/STF / Divulgação
- Relator Joaquim Barbosa conversa com o presidente do STF, Carlos Ayres Britto Foto: Carlos Humberto/STF / Divulgação
- Ministros do STF e procurador Roberto Gurgel, ao centro, durante a 15ª sessão Foto: Carlos Humberto/STF / Divulgação
- Advogados dos réus acompanham a 15ª sessão do mensalão Foto: Carlos Humberto/STF / Divulgação
- Ministra Rosa Weber durante leitura do seu voto no STF Foto: Carlos Humberto/STF / Divulgação
- Ministro Marco Aurélio em sessão do julgamento do mensalão Foto: Carlos Humberto/STF / Divulgação
- Ministro Gilmar Mendes em sessão nesta segunda-feira Foto: Carlos Humberto/STF / Divulgação
- Ministro Cezar Peluso durante a sessão Foto: Carlos Humberto/STF / Divulgação
- O ministro Dias Toffoli votou acompanhando o revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
- Ministra Cármen Lúcia durante leitura de seu voto relativo ao item 3 da denúncia Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF / Divulgação
- O ministro relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, fez várias intervenções após colegas proferirem votos divergentes do seu Foto: Carlos Humberto/SCO/STF / Divulgação
