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Barbosa assume presidência do STF em festa para 2 mil convidados

22 nov 2012
07h31
atualizado às 08h45
Gustavo Gantois
Direto de Brasília

Nesta quinta-feira, a partir das 15h, o Supremo Tribunal Federal (STF) fará uma pausa na intensa rotina de julgamentos para algumas horas de festa. Palco da posse de Joaquim Barbosa, que se tornará o primeiro ministro negro a presidir a mais alta corte do País, o Supremo vai abrigar uma constelação de quase 2 mil convidados, que inclui, além de representantes e chefes dos demais poderes, celebridades como os atores Milton Gonçalves, Regina Casé, Taís Araújo e Lázaro Ramos, o cantor Djavan e o ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet.

Joaquim Barbosa é o primeiro negro a presidir a Suprema Corte brasileira
Joaquim Barbosa é o primeiro negro a presidir a Suprema Corte brasileira
Foto: Nelson Jr/STF / Divulgação

Confirmaram presença mais de 100 amigos estrangeiros que o ministro fez questão de convidar. Haverá delegações de alemães, franceses, britânicos, norte-americanos e africanos. Também estão confirmados a presidente Dilma Rousseff, os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Marco Maia (PT-RS), além dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB).

Diferentemente de solenidades anteriores, que ocorreram às 16h, esta começará uma hora antes, em função de cuidados com a saúde de Joaquim Barbosa, que sofre de um problema crônico no quadril. Como ele não consegue ficar muito tempo em pé, uma novidade foi preparada para o novo presidente: ele receberá os cumprimentos somente à noite - o ministro pretende descansar no intervalo de até duas horas entre a posse e o coquetel.

O coquetel será em uma casa de festas de Brasília. A comemoração, com música ao vivo e um refinado bufê, que inclui vinho e uísque, está orçada em cerca de R$ 300 mil. Os custos serão divididos por três entidades representantes da magistratura: as associações dos Magistrados Brasileiros (AMB), dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e dos Magistrados do Trabalho (Anamatra).

No Supremo, Joaquim será saudado apenas pelas principais autoridades, como Dilma e os governadores presentes, e por colegas ministros e familiares. Ele escolheu Luiz Fux para fazer o discurso em nome do STF, conforme o critério segundo o qual os presidentes que tomam posse são livres para indicar o colega responsável pelo pronunciamento.

Quincas
Dentro do plenário do Supremo haverá ainda amigos de infância e ex-colegas de trabalho de Barbosa na gráfica do Senado Federal, onde trabalhou aos 19 anos. É dessa época o apelido de Quincas, pouco conhecido até mesmo por seus colegas de tribunal. Joaquim Borba dos Santos, o Quincas Borba do romance homônimo de Machado de Assis, é o criador do humanitismo, um sistema de filosofia fictícia que fazia contraponto ao positivismo e ao cientificismo e afirmava que, em qualquer luta, vence o mais forte.

Influenciado ou não pelo apelido, Joaquim Barbosa aplicou em sua vida parte desse humanitismo. Primogênito de oito filhos de um pedreiro e de uma dona de casa, saiu da cidade mineira de Paracatu aos 16 anos para estudar em Brasília. Aluno de colégio público, obteve o bacharelado em direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, fez mestrado em Direito do Estado.

O estilo mercurial e impulsivo, dizem colegas, foi moldado nos tempos de procurador da República, no Ministério Público. Aguerrido em suas convicções, Joaquim Barbosa colecionou inimigos ao longo da carreira, até mesmo entre os que se consideravam cobradores de alguma dívida pessoal, como o ex-ministro José Dirceu, condenado no processo do mensalão por corrupção ativa e formação de quadrilha.

Foi Dirceu quem levou o nome de Barbosa ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Lula queria indicar um ministro negro ao Supremo e pediu aos auxiliares mais próximos que levantassem opções para o cargo. O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, apresentou o nome de Barbosa, dono de um invejável currículo conquistado por méritos próprios.

São justamente esses méritos próprios, avaliam os amigos mais próximos, que fazem Joaquim Barbosa não se sentir devedor de quem quer que seja e agir com uma independência que ele mesmo não enxerga em alguns colegas de Corte. Outro efeito desse estilo é a recusa de Barbosa em receber advogados para discutir casos em tramitação no STF. A lei autoriza que ministros recebam representantes de partes interessadas num julgamento. Joaquim Barbosa é o único que se recusa a receber e, por isso, os advogados o detestam. Barbosa dá de ombros.

Em 2010, ele recomendou que os juízes saíssem às ruas para ouvir o que a população tinha a dizer sobre a Justiça. Ao transitar entre populares, acostumou-se a ser cumprimentado e receber elogios. Mas também, diante da constante ausência de seu local de trabalho por conta das dores provocadas pela sacroileíte, tornou-se alvo de reportagens que o mostravam em lugares públicos de lazer, como bares e festas. Vem daí sua relação nada amistosa com a imprensa, a quem acusa de fazer sensacionalismo com sua raça e seus problemas de saúde.

A admiração que Barbosa conquistou perante a sociedade, especialmente com o julgamento do mensalão, gerou uma certa apreensão ao cerimonial do STF. A segurança foi acionada para reforçar o número de homens e promete fazer um rígido controle da entrada de convidados. Tudo para não atrapalhar a festa de Quincas.

Fonte: Terra
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