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Vaza discurso preparado por Temer para impeachment de Dilma

11 abr 2016
16h51
atualizado às 19h03
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Em áudio enviado a grupo de Whatsapp de parlamentares do PMDB, vice-presidente ensaia pronunciamento que faria se Dilma cair. Na gravação de 15 minutos, ele defende "um governo de salvação nacional".

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), divulgou para colegas do seu partido um áudio de 15 minutos que contém o ensaio de um pronunciamento à nação para o caso de o impeachment da presidente Dilma Rousseff ser aprovado na Câmara no próximo domingo (17/4).

Segundo a TV Globo, a equipe do vice-presidente confirmou que o áudio é verdadeiro, mas também afirmou que sua divulgação ocorreu de forma "acidental" em um grupo do Whatsapp que reúne parlamentares do PMDB. Posteriormente,o arquivo acabou vazando para a imprensa.

No áudio, Temer afirma estar "fazendo seu primeiro pronunciamento à nação" no momento em que "a Câmara dos Deputados decide por uma votação significativa declarar a autorização para a instauração de processo de impedimento contra a senhora presidente".

"Eu quero neste momento me dirigir ao povo brasileiro para dizer algumas das matérias que penso que devem ser por mim enfrentadas. Faço isso com muita cautela, pois como sabem todos, há mais de um mês eu me recolhi exata e precisamente para não aparentar que eu estaria cometendo algum ato ou gesto com vistas a ocupar o lugar da presidente."

No mesmo áudio, Temer fala sobre um "governo de salvação nacional" para o país.

"A grande missão, a partir deste momento, é a pacificação do país, a reunificação do país, é o que eu repito, o que venho pregando, como responsável por uma parcela da vida pública nacional. Devo dizer também que isso fica para – aconteça o que acontecer no futuro – um governo de salvação nacional e união nacional", declarou Temer.

Temer se explica sobre áudio

O vice-presidente disse logo após o vazamento o áudio apenas reitera pontos que ele tem defendido nos últimos tempos, como a necessidade de unificação do país. Temer disse ter feito a gravação para a eventualidade de a Câmara dos Deputados aprovar o pedido de abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e que acabou enviando por engano a alguns parlamentares, que divulgaram o áudio.

Segundo Temer, em vez de enviar a mensagem para outro amigo, o áudio foi direcionado a "um grupo que acabou divulgando esta matéria".

"Eu falava com vários companheiros e, naquele momento, me perguntaram se eu estava preparado para a eventualidade daquilo que viesse a acontecer no próximo domingo, porque, certa e seguramente, se exigiria uma manifestação minha. Eu disse: 'olha, até vou fazer o seguinte. Vou gravar aqui uma coisa que eu imagino que eu possa dizer'", disse.

Após o vazamento do áudio, Temer convocou jornalistas para comentar o assunto. Ele afirmou que as teses defendidas, de prestígio aos setores produtivos, manutenção de programas sociais e chamamento dos partidos para uma "salvação nacional" são as mesmas sustentadas por ele ao longo do tempo. "Não estou dizendo novidade", afirmou. 

Perguntado se o vazamento poderia alterar o resultado da votação do impeachment na Câmara, que deve terminar neste domingo (17), Temer disse que não. Ele afirmou também que não iria comentar críticas de que é "golpista", e estaria sentando-se na cadeira antes do tempo. "Certas afirmações não merecem, digamos assim, a honra da minha resposta", disse o vice-presidente.

"Mas reitero que aquilo que disse foi exatamente aquilo que fiz no passado. Continuarei a fazer, dependendo do que acontecer no dia 17 (dia previsto para o impeachment ser votado na Câmara). E verifiquem, na gravação, que me dirigi respeitosamente ao Senado, dizendo que apesar da eventual decisão que se dê, ainda teremos que cautelosamente aguardar decisão do Senado. Mas ainda que governo continue tal como está, continuarei sustentando as mesmas teses. Não mudei um centímetro do que falei no passado", disse.

 

Com informações da Reuters e da Agência Brasil.

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