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Há 70% de chance do impeachment ser barrado, diz líder do PT

12 abr 2016
09h12
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Para o deputado Afonso Florence, líder do PT na Câmara dos Deputados, há 70% de chance, neste momento, de o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff ser arquivado pelo plenário da Casa. “Existe uma conscientização democrática, muito além do PT e do governo Dilma. E acho que isso está influenciando gradativamente os indecisos”, afirma Florence.

Líder do PT na Câmara aposta fichas na demonstração de que não há crime de responsabilidade para convencer os parlamentares indecisos
Líder do PT na Câmara aposta fichas na demonstração de que não há crime de responsabilidade para convencer os parlamentares indecisos
Foto: Lula Marques/ Agência PT/Fotos Públicas / O Financista

Em entrevista exclusiva a O Financista , o petista destacou que o governo conquistou uma importante vitória política após a oposição não alcançar os 44 votos - que representariam 2/3 da Comissão Especial da Câmara. “No dia da votação, eles precisam de dois terços na Câmara e hoje [ontem] eles não tiveram”, diz.

Nesta segunda-feira (11), a Comissão aprovou, por 38 votos a 27, um relatório favorável ao processo de impedimento da presidente Dilma. Caso a oposição conquiste 342 votos favoráveis à proposta de impeachment na votação deste fim de semana, a decisão da Câmara será enviada para o Senado. Contudo, Florence não conta com a hipótese.

O deputado aposta as suas fichas na demonstração de que não há crime de responsabilidade - "e que, portanto, impeachment é golpe" - para convencer os parlamentares indecisos. “Há pessoas indecisas. E a maioria é da base do governo, então acho que as decisões estão sendo tomadas contra o impeachment”, avalia.

Veja, abaixo, os melhores momentos da entrevista:

O Financista: Após a comissão especial do impeachment aprovar um relatório a favor do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff, quais são as expectativas do PT em relação à votação deste fim de semana? O senhor está mais otimista ou pessimista?

Afonso Florence: Estou realista. Essa votação na comissão mediu a correlação de forças na câmara. Quando entramos, diziam que só tínhamos 16 votos. Nós chegamos a 27 votos. Eles precisam de 2/3 na Câmara e hoje não tiveram esses 2/3.

Foi uma vitória política, porque, primeiramente, ficou nítido nos debates ao longo dessa semana que não há crime de responsabilidade e que, portanto, o impeachment é golpe. Além disso, estão ocorrendo mobilizações de rua, nas faculdades, universidades, centros culturais. Existe um movimento nacional que é uma conscientização democrática, muito além do PT e do governo Dilma. E acho que isso está influenciando gradativamente os indecisos.

O Financista: Qual é a estratégia do governo para tentar garantir o número de votos suficientes para barrar o impeachment?

Florence: A nossa estratégia está sendo demonstrar a peça jurídica, que não tem crime de responsabilidade, e denunciar a conspiração. O impeachment transformaria Michel Temer em presidente da República e [Eduardo] Cunha em vice-presidente. Os dois jogaram para a desestabilização política do país. E, quando as agências de rating rebaixaram a nota do país, reconheceram que a crise política foi preponderante para a tomada de decisão. A desestabilização política com o objetivo de se proteger e, agora, esse áudio, em que Michel Temer se dirige à nação brasileira como se já tivesse ganho só tem paralelo com FHC sentando na cadeira de prefeito. E, depois, perdendo para Jânio Quadros. É uma demonstração de quanto eles estão despreparados para esses cargos. Uma atuação conspiratória, ardilosa e sem conteúdo. Por outro lado, Cunha tenta impedir investigações em relação a ele. Aécio Neves, por exemplo, também tem quatro delações premiadas. Quando ele e Alckmin foram para a manifestação do dia 13, foram postos para correr. Estamos trabalhando para mostrar a natureza política golpista e a ausência de crime de responsabilidade. E temos um réu guiando um golpe.

O Financista: Em sua opinião, há algum partido ou algum deputado que esteja inclinado a mudar seu voto para favorecer o governo?

Florence : Existem pessoas indecisas. A maioria da base do governo, então acho que as decisões estão sendo tomadas a favor do governo - contra o impeachment.

O Financista: Em uma escala de 0% a 100%, qual é a chance do governo barrar esse processo de impedimento na Câmara neste fim de semana?

Florence: Acho que, hoje, é de 70%. Nesta segunda-feira, eles saíram politicamente derrotados, porque tinham que ter 43 votos e não tiveram.

O Financista: Caso a proposta do impeachment seja aprovada na Câmara, há chance de frear o processo no Senado?

Florence: Não estou contando com essa hipótese.

O Financista: Mas e se passasse?

Florence: Veja, o Senado vai votar o mérito. E não tem crime de responsabilidade.

O Financista: De acordo com Jaques Wagner, o governo trabalha para ter entre 208 e 212 votos contra o impeachment no plenário da Câmara. Onde estão esses votos?

Florence: Esses votos estão no plenário: em alguns partidos, inclusive de oposição ao governo (como a Rede, o PSOL). E a gente consegue [conquistar esses votos] demonstrando que não há crime de responsabilidade, que existe uma consciência democrática, dizendo que impeachment sem crime de responsabilidade é golpe. Quem tem o mínimo de bom senso não vai querer entrar para a história pela lata do lixo.

(Colaborou Marcelo Ribeiro)

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