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Humala é criticado no Peru por receber "apoio do Brasil"

5 abr 2011
17h37
atualizado às 20h25

O esquerdista Ollanta Humala, favorito ao segundo turno na eleição deste domingo no Peru, está sendo criticado pelo "apoio" que estaria recebendo do governo brasileiro. A acusação tem como base a assessoria de imagem a cargo de profissionais como Luis Favre, ex-marido da senadora Marta Suplicy (PT) e Valdemar Garreta, considerados por seus detratores ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), do ex-presidente Lula (2003-2011) e da atual, Dilma Roussef.

Xamãs peruanos realizam ritual com os cartazes eleitorais dos candidatos presidenciais Keiko Fujimori (esq.), Alejandro Toledo (segundo, à esq.), Pedro Pablo Kuczynski (segundo, à dir.), e Luis Castañeda, em Lima
Xamãs peruanos realizam ritual com os cartazes eleitorais dos candidatos presidenciais Keiko Fujimori (esq.), Alejandro Toledo (segundo, à esq.), Pedro Pablo Kuczynski (segundo, à dir.), e Luis Castañeda, em Lima
Foto: Reuters

Humala admitiu a assessoria mas, segundo ele, isto nada tem a ver. "Eles possuem uma pequena empresa, que está trabalhando ao meu lado no comando da campanha", disse o candidato nesta terça-feira, rejeitando a hipótese de que isso signifique uma intromissão externa. "Não há nada disso, rejeito com veemência, não aceitamos ingerência nem de governos nem de partidos, a assessoria não é do PT", insistiu.

Humala esclareceu também que os autores da estratégia que levou Lula à presidência nas eleições de 2002 não estão presentes em sua campanha. A vinculação com os assessores brasileiros surge logo depois de seus detratores ligarem sua imagem a do presidente venezuelano, Hugo Chávez - um dos fatores da derrota de Humala nas presidenciais de 2006.

A presença de assessores estrangeiros é comum no Peru. No começo do ano esteve em Lima o venezuelano Juan José Rendón, especialista em imagem, para aconselhar o ex-prefeito da capital e candidato Luis Castañeda, que vinha perdendo terreno entre o eleitorado. A cinco dias da eleição, a aspirante Keiko Fujimori (direita) enfrenta a recordação do golpe dado por seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, no dia 5 de abril de 1992, fechando o Congresso e destituindo magistrados do Poder Judiciário.

Canais de televisão e jornais rememoram a data, assinalando que foi o início de uma etapa de obscurantismo no Peru. Fujimori governou entre 1990 e 2000. A aspirante, que disputa o segundo lugar num eventual segundo turno com o centrista Toledo e o direitista Pedro Pablo Kuczynski, representa um "fujimorismo renovado", segundo Alejandro Aguinaga, médico pessoal do ex-presidente e líder do fujimorismo.

"Keiko foi bem clara ao dizer que não haverá outro 5 de abril porque o fujimorismo evoluiu e dá mostras de estar para a par com a democracia". Mas Kuczynski afirmou, em Cuzco, que ninguém pode se esquecer do fechamento do Congresso. "Lembrem-se do dia 5 de abril. É preciso defender a democracia, isso é importante", expressou Kuczynski.

A candidata disse há alguns dias que seu pai "tinha mensagem forte e clara, necessária para derrotar o terrorismo e pôr de pé a economia do país". Grupos de direitos humanos realizaram numa praça central de Lima um dia de repúdio ao golpe, denunciando crimes contra os direitos humanos praticados pelo governo Fujimori e a corrupção generalizada que levou o regime ao descalabro, há pouco mais de uma década.

Humala, um militar da reserva que em 2000 se sublevou contra o governo de Fujimori, tem, segundo as pesquisas, uma vantagem de 7 a 8 pontos sobre o ex-presidente Toledo; Keiko Fujimori e o ex-ministro Kuczynski estão em situação de empate técnico, mas a divulgação de pesquisas estão proibidas no Peru desde o dia 4 de abril.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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