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Gurgel afirma que provas contra Renan Calheiros são consistentes

29 jan 2013
13h40
atualizado às 13h40
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Roberto Gurgel disse que provas contra senador Renan Calheiros são consistentes
Roberto Gurgel disse que provas contra senador Renan Calheiros são consistentes
Foto: STF / Divulgação

 

O procurador-geral da República Roberto Gurgel afirmou nesta terça-feira que a denúncia apresentada contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) é “extremamente consistente”. O senador é suspeito de usar notas frias para tentar justificar o pagamento de despesas pessoais. Em 2007, Calheiros chegou a renunciar à presidência do Senado para escapar de um processo de cassação.
 
De acordo com Gurgel, como o inquérito está protegido por sigilo, não é possível ainda revelar quais crimes seriam imputados ao senador na denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada. O procurador também rebateu as acusações de que estaria agindo por motivação politica, uma vez que Calheiros é favorito para ganhar a eleição para a presidência do Senado, que será realizada no dia 1º de fevereiro.
 
“Não houve e não há qualquer intenção de que isto tenha sido feito por esta ou aquela motivação no momento que se aproxima a eleição para a presidência do Senado. O Ministério Público não pode ficar subordinado a essas questões de conveniência política. Eu procuro ao máximo evitar esse tipo de repercussão das iniciativas do Ministério Público. Por outro lado, não posso ficar subordinado de forma que uma denúncia só possa ser oferecida quando haja qualquer inconveniente político”, disse Gurgel na saída da primeira reunião do ano do Conselho Nacional do Ministério Público.
 
Ainda segundo o procurador, o tempo para apresentar a denúncia foi o necessário, uma vez que o julgamento do mensalão consumiu boa parte do ano passado. “Esse inquérito é extremamente volumoso. São dezenas de volumes e que consumiram muito tempo de análise. Todo mundo sabe que, no segundo semestre de 2012, o procurador-geral ficou por conta do mensalão. Isso infelizmente retardou a apreciação, não apenas deste, mas de uma série de outros feitos”, justificou.
 
O caso envolvendo Renan Calheiros tramita no STF desde 2007 sob o número 2593 e relatoria do ministro Ricardo Lewandowski. Desde então, o senador já teve seus sigilos fiscal e bancários quebrados por ordem do Supremo. A investigação, no entanto, estava nas mãos de Gurgel desde abril de 2011, tempo em que ele não fez mais nenhum pedido ao relator do caso.
 
Histórico
Em maio de 2007, surgiram as primeiras denúncias de que um lobista da empreiteira Mendes Júnior pagava R$ 12 mil mensais à jornalista Mônica Veloso como pensão alimentícia. A jornalista tem uma filha de Renan Calheiros. Em sua defesa, o senador apresentou documentos que comprovavam renda suficiente para pagar a pensão da filha e que não precisaria da ajuda de lobistas.
 
Diante disso, o Conselho de Ética da Casa recomendou a cassação do mandato do parlamentar, mas o plenário do Senado o absolveu por 40 votos contra, 35 a favor e seis abstenções. Mas a pressão fez com que Renan Calheiros renunciasse à presidência do Senado.
 
Naquele mesmo ano, uma nova denúncia abalou a história política do senador. Acusado de ter comprado rádios em Alagoas por meio de "laranjas", novamente Renan foi absolvido pelos colegas em nova votação pela cassação de seu mandato. Desta vez, o placar foi 48 votos contra e 29 a favor.
 
Outras quatro denúncias foram apuradas no Conselho de Ética, mas não chegaram a ser decididas em Plenário. Renan foi acusado de tráfico de influência junto à empresa Schincariol na compra de uma fábrica de refrigerantes, espionagem de parlamentares da oposição, participação em esquema de desvio de verbas públicas em ministérios do PMDB, seu partido, e de apresentar notas frias em nome de empresas fantasmas para comprovar rendimentos.
 
Fonte: Terra

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