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Grupo pede intervenção militar e causa tensão em Brasília

Pedidos isolados de intervenção militar contrariaram maioria; manifestante formada em Direito chegou a dizer que presidente Dilma pode sair “na base da bala”

15 mar 2015
17h23
atualizado às 19h45
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O agricultor Geraldo Corrent estendeu uma faixa de "intervenção" no Museu Nacional, em Brasília; ele defende "intervenção militar constitucional" e diz que "golpe é corrupção"
O agricultor Geraldo Corrent estendeu uma faixa de "intervenção" no Museu Nacional, em Brasília; ele defende "intervenção militar constitucional" e diz que "golpe é corrupção"
Foto: Débora Melo / Terra

O protesto contra a presidente Dilma Rousseff (PT), que reuniu cerca de 45 mil pessoas na manhã deste domingo em Brasília, teve alguns pedidos isolados de intervenção militar no País, o que contrariou a maioria dos manifestantes.

“O pessoal disse que a gente não poderia sair com nosso carro de som, porque hoje o movimento é exclusivo do impeachment”, disse o servidor público Maurício Campelo, que sustenta que uma “intervenção militar constitucional” seria a solução para o Brasil. “Também não quiseram que a gente exibisse faixas, mas eu não aceitei, disse que cada um escolhia a sua forma de defender o melhor para o País”, completou.

O servidor se posicionava atrás de um repórter de TV, de frente para as câmeras, quando um grupo de manifestantes abordou o jornalista para dizer que “nem todo mundo quer intervenção militar”. Houve um princípio de tumulto, mas sem agressões. “Acho que 90% não concorda com intervenção militar”, disse Robson Rossi, 30 anos, engenheiro, que é a favor da saída de Dilma “por impeachment ou renúncia”.

<p>Maurício Campelo (de chapéu) disse que tentaram impedir que ele exibisse sua faixa de intervenção militar</p>
Maurício Campelo (de chapéu) disse que tentaram impedir que ele exibisse sua faixa de intervenção militar
Foto: Débora Melo / Terra

Campelo afirma que é líder do movimento Ordem Dourada do Brasil, um “grupo de patriotas cristãos contra o comunismo”. Embora defenda intervenção militar, ele rejeita a ideia de “golpe”. “O impeachment não vai impedir a implantação do comunismo no Brasil. Mas não se trata de golpe. Está previsto no artigo 142 da Constituição Federal que a missão das Forças Armadas é garantir os poderes constitucionais. E hoje o Executivo está dominando o Legislativo e o Judiciário”, afirmou.

Intervenção militar constitucional não existe, dizem especialistas

O agricultor Geraldo Corrent, 52 anos, é outro que defende a “intervenção militar constitucional”. “Precisamos que os militares tirem do poder esses corruptos que estão aí e promovam novas eleições, apenas para quem for ficha limpa. Não acho que isso seja golpe. A corrupção que a gente vê, isso sim é golpe”, disse.

O agricultor Geraldo Corrent, que pede intervenção militar "contra o comunismo"
O agricultor Geraldo Corrent, que pede intervenção militar "contra o comunismo"
Foto: Débora Melo / Terra

“Na base da bala”
Formada em direito, Dayla Hamanna, 27 anos, disse que viu na internet boatos de uma “intervenção de esquerda”, o que teria motivado que ela saísse às ruas para pedir uma “intervenção militar de direita”. Segundo ela, os boatos dão conta de que, mesmo com o impeachment, a presidente Dilma não sairia do poder porque “35% dos militares estariam comprados pelo PT” e, diante disso, alguns grupos que defendem a intervenção militar acreditam que Dilma só deixaria a Presidência “na base da bala” (veja vídeo abaixo).

“Ela não tem intenção de sair do governo. Então estamos dispostos a defender os militares de direita reais, e a nos defender. A nossa ideia, neste momento, é que a Presidência só sai na base da bala”, afirmou. “Sim, eu acredito que sim. Seria um golpe”, completou.

Em relação aos boatos, Dayla disse que prefere estar “preparada”. “Prefiro acreditar que temos que estar preparados. A população é muito desinformada.”

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Fonte: Terra
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