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Freixo: é covardia cassar por falta vereador acusado de milícia

27 out 2010
21h17
atualizado às 22h26
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Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

O deputado Marcelo Freixo (Psol), autor da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de 2008, classificou de "covarde" a cassação do vereador Cristiano Girão (PMN) nesta quarta-feira pela mesa diretora da Câmara dos Vereadores por não ter comparecido ao número mínimo de sessões ordinárias na Casa. Girão está preso por envolvimento com milícias desde 2009. A investigação do Conselho de Ética da Câmara municipal contra o vereador cassado foi suspensa.

O trabalho do deputado, em 2008, foi responsável pelo indiciamento de Girão e de outros parlamentares por envolvimento com o crime organizado no Rio. "Organizar uma cassação porque ele é ausente e não pela razão da sua ausência, me cheira a covardia, me cheira a deboche com a população", disse, em entrevista ao Terra.

"É muito grave. Os vereadores deveriam estar mais preocupados com a razão de sua falta. Se não, você está cassando um vereador porque ele é relapso, porque ele não é presente. Na verdade, não é isso. Ele é um bandido. É um criminoso. Ele representa o crime organizado, é um chefe de milícia. É por isso que ele não tem ido à Câmara. Porque ele está preso", afirmou Freixo. No lugar de Girão, assume seu suplente, José Everaldo Costa, eleito pela coligação PTC-PMN.

De acordo com o deputado, reeleito para a Assembleia Legislativa estadual nas últimas eleições, deveria haver maior enfrentamento por parte dos parlamentares. "A população que vive na área de milícia enfrenta esses caras e não tem escolha. Quem é parlamentar tem obrigação de enfrentá-los. Se não quiser enfrentar, é só deixar de ser parlamentar. Ninguém é obrigado a ser. Não se trata de heroísmo. Se trata de uma concepção de poder público", disse.

Com a decisão da Câmara, Cristiano Girão não perde seus direitos políticos e pode voltar a concorrer na próxima eleição. Freixo considera que a cassação por ausência pode viabilizar uma estratégia de defesa para que Girão retome sua cadeira na Câmara. "Isso fragiliza a cassação e ele pode perfeitamente ganhar na Justiça contra esse modelo de cassação. Ele tem uma justificativa de estar ausente. Ele está preso. Por que a Câmara não resolve discutir a razão de ele estar preso e cassá-lo porque ele é miliciano?", afirmou.

Representado no filme Tropa de Elite 2 pelo personagem Diogo Fraga (interpretado pelo ator Irandhir Santos), Freixo faz um alerta sobre o poderio das milícias. "As milícias continuam existindo no Rio de Janeiro, isso tem que ser dito. Elas não desapareceram. Elas foram enfraquecidas politicamente. Não foram enfraquecidas territorialmente, não foram enfraquecidas economicamente", disse.

De acordo com o deputado, se não houver ação para combater as milícias em seus territórios e enfraquecê-las economicamente, é questão de tempo para que retomem seu espaço na política.

Contraponto
O presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe (PMDB), afirmou, após a reunião da mesa diretora que decidiu por unanimidade pela cassação de Girão por motivo de ausência, que a ação da Casa correspondeu ao que determina a Constituição. De acordo com ele, se não houvesse a punição por ausência, haveria uma falha processual da Câmara.

O vereador alegou ainda que o processo do Conselho de Ética, que investiga Girão por quebra de decoro parlamentar, não foi arquivado e pode ser retomado se o vereador cassado conseguir reaver o seu assento.

Felippe, segundo informou a assessoria de imprensa da Câmara dos Vereadores, participava de uma sessão solene na noite de hoje e estava impossibilitado de responder às críticas do deputado Marcelo Freixo.

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Fonte: Redação Terra
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