1 evento ao vivo

Foster: cláusulas omitidas em Pasadena eram importantes

27 mai 2014
11h55
atualizado às 12h52
  • separator
  • comentários

Ao abrir seu depoimento à CPI do Senado que investiga denúncias de irregularidades na Petrobras, a presidente da companhia, Graça Foster, disse que as duas cláusulas omitidas no documento que serviu de base para que o Conselho Administrativo autorizasse a compra da refinaria de Pasadena (EUA) eram "extremamente importantes". O responsável pelo documento foi Nestor Cerveró, ex-diretor da área de negócios internacionais da petrolífera. Na semana passada, ele disse à CPI que as cláusulas naquele momento não fariam diferença e o negócio seria fechado do mesmo jeito. As informações são da Agência Senado.

Graça Foster voltou ao Senado para explicar denúncias de irregularidades na Petrobras
Graça Foster voltou ao Senado para explicar denúncias de irregularidades na Petrobras
Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

O resumo executivo analisado pelo Conselho não continha as cláusulas Marlim e put option. A primeira assegurava à Astra Oil, que era sócia da Petrobras no negócio, uma rentabilidade mínima de 6,9% ao ano. Já a opção de venda, ou put option, obrigava a Petrobras a comprar a participação da Astra em caso de conflito entre os sócios.

A exemplo de Cerveró, Graça Foster afirmou que, em 2006, o planejamento estratégico da Petrobras apontava para a necessidade de expansão do parque de refino no mercado norte-americano. E Pasadena, no Texas, fica numa localização estratégica.

Graça Foster voltou a dizer no Senado que a compra da refinaria de Pasadena não foi um bom negócio e que hoje a estatal brasileira não compraria a planta. “À luz da situação atual, os números mostram que não foi um bom negócio. Num futuro próximo é possível que haja melhorias, mas hoje, com a decisão do refino no Brasil, com a descoberta do pré-sal e com um mercado interno crescente, não é mais prioridade. Mas lá atrás em 2006, foi considerado [um negócio] potencialmente bom”, afirmou.

A presidente da Petrobras apresentou também avaliação de analistas independentes que consideraram positiva a compra de Pasadena na época e afirmou que o desempenho recente da unidade é bom.

Graça negou novamente a informação de que a refinaria teria custado à Astra apenas US$ 42,5 milhões. Ela estimou que entre o valor da compra e os investimentos antes da venda à estatal brasileira, a empresa belga desembolsou o total de US$ 360 milhões.

A presidente da Petrobras isentou de responsabilidade a presidente Dilma Rousseff pela decisão de compra da refinaria de Pasadena. Na época do negócio, em 2006, Dilma era ministra da Casa Civil e presidia o Conselho de Administração da Petrobras. A transação é alvo de investigações do Tribunal de Contas da União (TCU) devido a suspeitas de irregularidades. ‘A responsabilidade é da diretoria que fez apresentação ao Conselho de Administração. Nos dois casos, houve responsabilidade do colegiado”, afirmou Graça Foster.

Como ocorreu nos depoimentos anteriores prestados à CPI, a reunião está sendo feita sem a presença de senadores da oposição. Eles defendem que a apuração seja feita por uma comissão mista, isto é, com a participação de deputados federais e senadores, de maneira a reduzir a influência do governo (que é mais forte no Senado do que na Câmara) no rumo das investigações.

 

Fonte: Terra
  • separator
  • comentários
publicidade